O que aconteceria se dois personagens marcantes do universo sobrenatural – e de pontos diferentes do globo – se enfrentassem? A partir de sexta-feira, às 20h, quando o curta-metragem “Sem fim” for exibido no Armazém Cultural – Avenida Calógeras, 3065 –, será possível conhecer os detalhes desse encontro marcado pelo mistério. Mas, ao contrário do que se possa pensar, na vez do medo e da tensão, o que vem à tona, na aproximação entre o Saci-Pererê e o conde Drácula, é o humor.
A ideia de unir um personagem surgido das lendas da região europeia dos Balcãs com outro das áreas rurais do Brasil surgiu do diretor Fábio Flecha. “A possibilidade de mostrar um personagem bastante explorado pelo cinema, no caso, o Drácula, encontrando-se com um outro bastante popular no Brasil, o Saci, poderia render algo inusitado”, destaca.
O curta-metragem integra a série “Lendas pantaneiras”, que o diretor realiza desde 2012. “O primeiro filme, ‘Espera’, foi feito de forma totalmente independente. Neste ano, lancei duas outras produções – ‘Desafio da viola’ e ‘Enterro’ –, ambas com financiamento do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) do governo. O novo filme foi aprovado no edital de Audiovisual do Museu da Imagem e do Som (MIS)”, informa o diretor. A série destaca histórias, que, segundo Fábio, são populares no Pantanal e em outras partes do Estado. Algumas ele ouviu em Campo Grande, quando era criança. “Era comum os adultos, avós e tios, contarem essas histórias. Isso também serviu de base para as pesquisas”, relata.
No caso do Saci, Fábio conta que o personagem ganha perfil diferenciado em várias partes do País. Em Mato Grosso do Sul, não é diferente. “Em um assentamento, perto de Três Lagoas, quando acontece alguma confusão, quando as pessoas brigam, dizem que o Saci está por lá, motivando os conflitos. Por outro lado, na região de Corumbá, quando um cavalo começa a ficar agitado, falam que o Saci está por perto. Também comentam que os sons estranhos da noite têm como causa o Saci”, destaca o diretor. Outro referencial para construção do roteiro foi a pesquisa feita pelo folclorista potiguar Câmara Cascudo, que registrou várias histórias em torno do personagem.
As filmagens do curta-metragem foram feitas totalmente em Campo Grande, utilizando como cenários a Esplanada da Estação Ferroviária e região do Chácara dos Poderes. “Fizemos as gravações durante o inverno, o que obrigou o ator que interpreta o Saci, Anderson Black, a ficar, de madrugada, somente de short. Foi um esforço grande para ele”, afirma o diretor. Na exibição do filme, que acontece no Dia do Saci e das Bruxas, o público poderá ir fantasiado. A classificação da produção é livre.

Foto: Douglas Oldegardo - Divulgação
Anderson Black interpreta um dos personagens principais