Sinais dos tempos: mesmo com pouca idade, 26 anos, o cineasta aquidauanense Essi Rafael pode ser considerado um veterano. Produzindo desde a adolescência, é responsável por mais de 10 curtas-metragens. Hoje e amanhã, às 10h, no Cinemark, com entrada franca, o público poderá conhecer a sua mais nova realização, “A TV Está Ligada”, um curta de 24 minutos.
“Grande parte do que eu fiz acabou não ganhando exibição pública, mas posso considerar que a minha estreia oficial aconteceu com ‘Um Conto de Solidão’, com o qual ganhei o um prêmio no Festival de Cinema de Campo Grande, em 2009. Depois fiz ‘Ela Veio me Ver’, que foi exibido em vários festivais no Brasil e no exterior”, destaca Essi.
A nova produção era uma ideia antiga. O roteiro surgiu no período em que estudava Cinema na Universidade de São Carlos (São Paulo). “Na época, 2008, queria filmar roteiro como conclusão de curso, mas não foi possível. Em 2012, iniciei as filmagens, após ser contemplado com o Prêmio do Museu da Imagem e do Som. A parte de finalização foi possível com recursos do Fundo Municipal de Incetivo à Cultura de Campo Grande”, detalha o diretor. A produção ficou em cerca de R$ 70 mil.
DESAFIO
O roteiro de “A TV Está Ligada” mostra o que acontece com a população de Campo Grande quando a imprensa divulga a notícia dos ataques de um maníaco.
Toda a narrativa é pontuada pelo contato das pessoas com a programação das emissoras de televisão. O maior desafio da produção foi obter diferentes tipos de linguagens visuais na narrativa.
“É como se o espectador tivesse trocando de canal e assistindo a vários programas. Lembra em alguns aspectos “Tá no Ar: a TV na TV”, a atração que os humoristas Marcelo Adnet e Marcius Melhem têm na Globo. No começo, até fiquei preocupado, mas depois vi que a pegada é diferente”, aponta o diretor.
O elenco conta com vários atores de Mato Grosso do Sul. Também participam da encenação vários jornalistas. “Isso foi para dar mais realismo”.
Segundo o diretor, a obra não é uma crítica ao meios de comunicação. “Gosto de mostrar as coisas, mas é o espectador que decide qual posição tomar”.
Depois da estreia na Capital, o filme pode percorrer os festivais de cinema nacionais e internacionais. “Inicialmente, o filme tinha 30 minutos, mas tivemos que reduzir para facilitar a exibição em eventos de cinema, que exigem, geralmente, que os curtas tenham até 25 minutos”.