Escolher o presente ideal não é tarefa fácil. Nas confraternizações de fim de ano, principalmente nas brincadeiras de amigo-secreto e no dia de Natal, a expectativa é agradar ao amigo, familiar ou colega de trabalho e também receber bons presentes de volta. Mas nem sempre tudo sai como planejado, principalmente se a escolha do presente não for bem pensada. No caso do estudante de Economia Igor Marinho de Castro Lima, por exemplo, a situação beirou o desastre. O acadêmico de 25 anos decidiu entrar no amigo-secreto do seu ambiente de trabalho, onde atua como estagiário em consultoria financeira. “Decidiram que os presentes seriam livros, mas eu estava em casa de atestado médico e não fiquei sabendo”, relata.
Igor tirou sua própria chefe e ficou em dúvida no que comprar. “Pedi para minha mãe comprar o presente por mim, porque não sei presentear mulher”. Sem saber que seria um amigo-secreto de livros, a mãe do estudante comprou uma lingerie vermelha e “escandalosa”, segundo Igor. Na hora de revelar o amigo-oculto, o momento foi de constrangimento e risadas. “Eu fui o primeiro a revelar. Se soubesse, nem teria ido em frente. Todo mundo riu”, recorda.
Para Adriana Estivalet, consultora pessoal e corporativa em etiqueta e imagem, é muito importante tomar cuidado com o presente em ambiente profissional. “Presentes como lingerie, cuecas, roupas decotadas, livros com histórias picantes, como ‘Cinquenta Tons de Cinza’, e afins podem ser mal interpretados e devem ser evitados”, recomenda.
O presente perfeito
A estudante de Psicologia Jéssica Lane Ramos Colina, 23 anos, adora o período de festas de fim de ano justamente pelo momento de troca de presentes. “Eu fico empenhada e muito animada”, diz a acadêmica, que até agora participou de três amigos-ocultos e tem previsão de entrar em, pelo menos, mais um. No último que brincou, ainda neste mês, de um grupo de estudos da faculdade, Jéssica passou um dia inteiro a procura do presente perfeito. Ela geralmente ignora o pedido feito pelo amigo e busca encontrar algo por conta própria. “Gosto de dar um presente que a pessoa vá lembrar de mim, mas de acordo com o gosto dela”, explica.
Além de fazer seu amigo secreto feliz, a estudante não perde a chance de aprontar alguma brincadeira. Na última vez, escolheu um vinil do David Bowie e outra da Kate Bush para presentear seu amigo. Mas, na hora da revelação, entregou um vinil da Xuxa. “É muito engraçado ver a cara de decepção da pessoa. Ele odiou, mas era Xuxa, todo mundo riu”, conta. O sofrimento dura pouco, pois logo Jéssica revela o verdadeiro presente, para alívio de todos.
A consultora Adriana aconselha a fazer as brincadeiras apenas entre amigos ou familiares e evitar este tipo de humor no meio profissional. “No ambiente corporativo, é necessário bastante atenção tanto na escolha do presente como no discurso na hora da revelação, pois a imagem do profissional perante os gestores e colegas pode ficar ruim”, recomenda. Sobre a escolha do presente ideal, Adriana concorda com Jéssica e aposta sempre na personalidade do presenteado. “O mais importante é ter em mente que o presente a ser escolhido deve agradar a quem vai recebê-lo e não ao nosso gosto pessoal”, destaca.

A reportagem, de Eduardo Fregatto, está na edição de hoje (24) do jornal Correio do Estado.