Levar arte, conforto e paz para pessoas em situação vulnerável. É esta a proposta do coral de funcionários da MSGás, que percorrerá os hospitais, asilos e instituições beneficentes de Campo Grande para uma série de apresentações e concertos no decorrer do ano. “É o ‘Roteiro do Bom e do Bem’”, explica Angela Maria Gomes de Oliveira, atual coordenadora do coral. “A gente quer passar alegria, descontração e conforto para as pessoas que estão nesses locais”, define.
A ação do grupo de canto deve começar no próximo mês, mas a agenda de shows ainda não está fechada. “Precisamos aguardar o retorno das instituições”, explica Maria Angela.
Na Capital, outros grupos também se destacam por atividades culturais com caráter social. O grupo de dança do Colégio Tic Tac, por exemplo, já é antigo conhecido do Hospital Regional, Escola Juliano Varela e Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). “É muito gratificante”, diz Daniella Penrabel de Souza, professora responsável pelo grupo de dança formado por alunas e ex-alunas do Ensino Médio. O grupo de oito meninas apresenta coreografias de jazz e danças regionais. Elas já são tradição nas festas anuais da Sirpha (Lar do Idoso). “Os idosos se sentem valorizados pela nossa presença. Aplaudem muito, pedem para tirar foto, pedem abraços e agradecem mais”, relata Daniella.
Já na Escola Padrão, o grupo de alunos do curso de Técnico em Enfermagem formou os “Técnicos da Alegria” e leva risadas, bom humor e esperança para os pacientes do Hospital de Câncer Alfredo Abrão.
TRANSFORMAR
Para o maestro Denis Lopes, regente do coral de funcionários da MSGás, a música tem poder de tocar e transformar os ouvintes. “As pessoas são tocadas, a música tem essa magia”, avalia. “A gente já tem experiência em cantar no Hospital de Câncer, no Hospital Universitário e em asilos, e as pessoas se sentem amadas, até nós saímos emocionados”, relata.
“Nós temos que nos controlar, porque a emoção toma conta”, conta a assessora técnica Maria Waleska Bogalho, que participa do coral desde a criação, em 2011. “Quando você canta no hospital, as crianças e as pessoas que estão ali começam a escutar a música e você nota a mudança da expressão no rosto. Há pessoas que levantam da cama e se esforçam para ir até a porta assistir e agradecer”, comenta.
A professora Daniella afirma que os artistas voluntários e os pacientes acabam criando até um forte vínculo. “Sempre que vamos ao Lar do Idoso tem uma senhora em uma cadeira de rodas. Ela curte e aplaude muito. Quando eu estava grávida, ela tocou minha barriga e adivinhou o sexo do meu filho. A gente se emociona bastante com essas relações que se formam”, diz.
Daniella relata que suas alunas jamais perdem uma apresentação em instituição, seja hospital ou asilo. “Muitas têm compromissos e perdem apresentações em festivais e festas, mas quando é local beneficente ninguém deixa de ir. Se apresentar nesses lugares é mais gratificante do que em palcos de teatro”, pontua.
E quem já esteve do outro lado confirma o valor das ações. “Eu já estive acompanhando minha irmã, que estava internada, e um grupo se apresentou no hospital. Eu passei por essa situação e realmente traz um conforto para as pessoas que ali estão”, avalia Maria Angela.
NO COTIDIANO
Criar um grupo artístico e transmitir mensagens positivas pode ser mais fácil do que se imagina. No caso do coral do MSGás, a inciativa surgiu da vontade dos funcionários.
Em 2011, a empresa contratou o maestro Denis Lopes e o coral teve início, com ensaios sempre às quintas-feiras, das 8h45min às 9h15min. Atualmente, conta com 14 funcionários. Muitos nunca pensaram que um dia poderiam cantar. “Hoje eles já têm condições de gravar um CD, se quiserem”, defende Denis.
O grupo diz que a produtividade no trabalho melhorou, e o ambiente profissional agora tem mais integração entre os colegas. “As pessoas ficam mais alegres e mais leves, depois que o coral se apresenta, é possível ver o efeito da boa música tanto em quem se apresenta como em quem ouve”, afirma Maria Waleska.
O coral faz uma apresentação durante a manhã, de surpresa, para todos os funcionários, em datas selecionadas. É a “Matinada”.
“Com o coral, você trabalha o psicológico, a musicoterapia da pessoa. Às vezes, a pessoa resolve até os problemas que tem em casa”, comenta o maestro Denis.
Tantos efeitos positivos não poderiam ser aproveitados apenas dentro da empresa e, por isso, o Coral percorrerá a Capital espalhando as boas vibrações para quem mais precisa.