Sai ano, entra ano, e os tradicionais ovos de chocolate são itens obrigatórios para celebrar a Páscoa. A diferença é que, cada vez mais, os produtos industrializados perdem espaço para os artesanais, feitos em casa por confeiteiros profissionais e amadores. “As pessoas parecem ter enjoado dos ovos de mercado”, diz a estudante de Veterinária Caroline Costa, 22 anos, que pela primeira vez produz e vende ovos de chocolate e já acumulou uma longa lista de encomendas, com mais de 50 pedidos.
Para atrair a freguesia, vale tudo. Todo ano, diversos formatos e sabores diferentes são criados para agradar os chocólatras. A sensação do momento é o ovo de colher. Um ovo de chocolate aberto, com muito recheio dentro, para, literalmente, comer de colheradas. Morango, brigadeiro, Nutella, leite ninho, maracujá e beijinho são alguns dos sabores disponíveis.
“Já faz uns dois anos que o ovo de colher se popularizou”, comenta a funcionária pública e confeiteira Mariza Fountoura Ocampos, 50 anos. “Mas agora a novidade são os sabores diferentes. As pessoas pedem para mesclar recheios e colocar frutas”, revela Mariza, que vende ovos de chocolate há mais de 25 anos e tem clientes tradicionais, fiéis a ela desde o início.
Maristela de Giorgio, 57 anos, é outra funcionária pública que ganha dinheiro com a produção de doces. Há mais de 30 anos, ela vende ovos de chocolate para uma clientela que não aceita outra opção.
“Já tive um ano em que estava com os dois braços quebrados, mas tive de fazer assim mesmo. Assim que tirei o gesso, já comecei a atender as encomendas”, relata Maristela. “As pessoas dizem que o ovo artesanal tem mais sabor que o industrializado. É porque não leva conservante e a pessoa come ainda fresco. Não fica semanas em uma prateleira de mercado”, diz.
Para ela, os ovos de chocolate de colher são uma moda. Sua especialidade são mesmo os tradicionais. “Eu prefiro não fazer (o de colher). Gosto muito dos ovos tradicionais”, opina.
Já Mariza resolveu aderir à novidade, para não desapontar seus clientes. “As pessoas pedem. Eu não gosto de negar pedidos, mas também gosto mais de fazer os tradicionais.”
Por outro lado, quem entra no ramo dos ovos, agora, já começa seu negócio apostando nos novos formatos. “Há bastante demanda. Eu estou fazendo um novo, que é o ovo de colher de brownie, que é aquele bolo americano”, afirma a jovem Maria Fernanda Azevedo Nunes da Cunha, estudante de Gastronomia de 21 anos, que começou a vender no ano passado. “Já estou tendo que negar pedidos”, afirma.
Apesar da grande procura, quem produz os ovos alerta para os cuidados necessários. “Eu digo para a pessoa deixar sempre na geladeira e consumir em até três a quatro dias. Tem gente que pega o ovo e deixa no carro enquanto resolve outras coisas na rua. Não pode”, alerta Caroline.
OVO DE CERVEJA
Em um mercado já tão competitivo, é preciso ter um diferencial para se destacar.
Pensando nisso, o estudante e operador de telemarketing Rafael Pereira Barros, 22 anos, resolveu vender ovos de chocolate recheados com bebidas alcoólicas.
Os sabores são cerveja, piña colada e caipirinha. “Para competir, achei mais fácil fazer algo diferente”, explica Rafael.
Os ovos levam álcool, mas não são fortes. O que fica mesmo é o gostinho da bebida escolhida. “O álcool é evaporado com a temperatura quente”, ressalta.
Ele aprendeu as receitas pela internet e resolveu começar as vendas depois da aprovação geral que seu brigadeiro de caipirinha obteve entre amigos. “A Páscoa é uma comemoração, e o álcool é ligado a festividades”, aponta.
Até agora, as vendas de Rafael têm sido um sucesso. Além dos sabores para adultos, ele também produz ovos de chocolate e morango.
Seja qual for o recheio ou formato, todos os confeiteiros, amadores ou profissionais, concordam que o importante é que o ovo seja saboroso e deixe a Páscoa mais prazerosa. “A Páscoa é momento de celebração e oração. O ovo é uma maneira de reunir os familiares e presentear o ente querido”, conclui Maria Fernanda.