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comportamento

Mães contam como era criar filhos em rotina diferente de hoje

"Mães de outros tempos" recordam as diferenças entre criar um filho hoje e no passado

Redação

09/05/2015 - 16h30

Diz o saber popular que   “mães são todas iguais, só muda o endereço”. Para atestar a teoria, a reportagem do Correio B conversou com algumas mães frequentadoras do Centro de Convivência para Idosos Vovó Ziza,  em Campo Grande. Após as entrevistas, ficou evidente que, além do endereço, as mães também se diferem pela época em que vivenciaram a experiência da maternidade. 

Na faixa dos 60 a 80 anos, as “mães de outros tempos” recordam as diferenças entre criar um filho hoje e no passado. Um passado em que o acesso a informações sobre cuidados de saúde era escasso, a mulher trabalhava menos e passava a maior parte do dia com as crianças, e o diálogo entre pais e filhos não era tão valorizado quanto hoje. “Tudo é relativo”, opina a aposentada Tina Medalha, que, vaidosa, prefere não revelar a idade. Tina conta apenas que seu filho mais velho completou 60 anos. “Naquela época, nós não tínhamos informações sobre os cuidados certos, mas era um tempo em que as mães tinham mais tempo para passar com os filhos”, define.

Para Joselita Silva Dantas, cozinheira de 65 anos, ser mãe foi uma experiência desafiadora. “Eu morava e trabalhava na roça. Nunca estudei e eu não tinha ajuda nem informação”, conta. Apesar dos percalços, Joselita era uma verdadeira enfermeira de remédios naturais. “A gente tinha um remédio natural para todo tipo de doença. Eram só remédios de casa. Se meus filhos tinham uma ferida, eu pegava um mato pra cicatrizar. Se tinham dor de barriga, era chá”, relata.

Joselita diz que passou por dificuldades para obter assistência médica. Foto: Bruno Henrique

O hospital mais próximo da propriedade de Joselita ficava em Miranda. Em seu segundo parto, não deu tempo de chegar à cidade. “Tive meu filho em casa mesmo, minha vó que me ajudou.”

A cozinheira também sentia falta de maior diálogo entre pais e filhos. “Não podia conversar. A mãe não explicava certas coisas para as filhas. Hoje é tudo mais fácil. Hoje eu falo abertamente com meus netos”, aponta.

Tina também percebe que a comunicação melhorou atualmente, e muito. “A gente cresceu naquele sistema de não falar muito, de ter medo de conversar.”

Mas, como toda história tem dois lados, as mães e, agora, também avós ficam aflitas com a liberdade que os jovens desfrutam nos dias de hoje. “Parece que agora está mais perigoso. Tem mais drogas e outros problemas”, cita Joselita, que já fica preocupada com os netos. “Graças a Deus, na minha família nunca tivemos nenhum incidente, mas a gente tem essa preocupação.”

Maria José Moraes de Almeida, 63 anos, acha que os filhos são muito liberais, hoje em dia. “Antes, tudo era mais simples na criação do filho”, opina. Para Maria José, a geração atual tem muita liberdade e é protegida demais. “Com menos informação, a gente criava os filhos de maneira melhor. Hoje, os filhos são muitos liberais, querem fazer muitas coisas”, diz.

“Acredito que exista hoje um choque cultural muito grande, por conta dessa diferença de criação”, reflete Tina. 

DIÁLOGO
Mesmo com menos acesso a informações sobre cuidados, as mães de outros tempos se viraram bem na criação dos filhos. A experiência, muitas vezes, vinha pelos próprios irmãos. “Eu tive 11 irmãos, então, eu já aprendi com minha mãe a cuidar de criança, ainda adolescente”, explica a aposentada Mercedes de Freitas Morangoni, cujo primeiro filho nasceu em 1972. “Eu tirei de letra”. Assim como Mercedes, Maria José também aprendeu tudo cuidando do irmão. “Era o jeito que aprendíamos na época e, pra mim, funcionou muito bem.”

Mercedes relata que, em seu tempo como mãe, era comum que mulheres se dedicassem apenas à criação dos filhos e abdicassem de trabalhar fora de casa. “Eu vivi cada momento intensamente”, orgulha-se.

Diante da sociedade atual, no qual muitas mulheres precisam tentam conciliar o emprego e a família, Mercedes aconselha: “Curtam cada momento possível, porque a saudade depois é imensa. Esse tempo da maternidade não volta.”

Apesar das diferenças e dificuldades, Tina defende a maternidade, seja ontem, hoje ou amanhã. “É uma tradição que vale a pena. É como dizem: ser mãe é padecer no paraíso”, conclui.


Mercedes e Tina. A primeira aprendeu sobre a maternidade cuidando dos irmãos; a outra destaca a felicidade de ser mãe 

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