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DF

Policiais pagam fiança e fazem compras para pai que furtou carne

Ele disse que não tinha comida em casa e tentou furtar carne para o filho

Redação

14/05/2015 - 16h39

Policiais civis do Distrito Federal se sensibilizaram com a história de um ladrão e deram um final surpreendente a uma tentativa de furto de 2 kg de carne: pagaram a fiança e fizeram compras para o eletricista desempregado, que contou em depoimento ter praticado o crime para alimentar o filho de 12 anos. Mario Ferreira Lima cria o menino sozinho desde que a mulher se mudou para a casa de um filho mais velho, de outro casamento, para se recuperar das sequelas de um acidente.

O incidente aconteceu nesta quarta-feira (13), em um mercado de Santa Maria. De acordo com o agente Ricardo Machado, o desempregado contou em depoimento que se confundiu com as datas e achou que já tivesse caído na conta os R$ 70 que recebe mensalmente por meio do Programa Bolsa Família. Ele foi então ao comércio comprar pão, muçarela, mortadela e carne.

Na hora de passar as compras no caixa, o homem descobriu que o valor que tinha de saldo – R$ 14 – era insuficiente e tentou esconder a carne na bolsa. Os 2 kg do alimento custavam R$ 26. A ação foi flagrada pelas câmeras de segurança, e o dono do estabelecimento não aceitou as desculpas do ladrão e acionou a polícia.

Machado conta que o desempregado desmaiou pouco depois de chegar à delegacia. Questionado se estava bem, o homem respondeu que estava havia dois dias sem comer, porque deixou o filho consumir sozinho o pão que restava em casa.

O agente terminou de ouvir a história do suspeito – que narrou ter perdido o emprego com carteira assinada por ter precisado acompanhar a mulher nos oito meses em que ela ficou internada em coma no hospital – e procurou os colegas. “Dei a ele R$ 30 para pagar a carne e depois fui contar aos colegas o que estava acontecendo no plantão. Ficou todo mundo comovido, e logo um tirou R$ 5, outro R$ 10, outro R$ 20 do bolso”, lembra.

A ocorrência foi registrada na delegacia do Gama Oeste, e a fiança foi estipulada em R$ 270. Sensibilizada, uma agente pagou sozinha o valor, enquanto os colegas arrecadavam mais dinheiro para comprar mantimentos para o ladrão.

Quatro policiais acompanharam o eletricista desempregado até o supermercado, onde compraram arroz, feijão, macarrão, biscoito e itens de higiene. “Na hora que passávamos pela seção de higiene, um colega perguntou se ele tinha pasta de dente. Ele disse que tinha mais de mês que não escovava os dentes com pasta, e pedimos que ele pegasse lá, então. Ele, na humildade dele, voltou com a menorzinha e mais barata. Brincamos que isso não dava nem para um dia e pegamos logo cinco, aí pegamos sabonete e todo o resto.”

Os agentes acompanharam o homem até a casa dele. Machado diz que ele “não conseguia acreditar e não parava de agradecer”. “Ele cuida da casa e do menino pela manhã e à tarde vai atrás de bicos, mas não conseguiu nada nos últimos dois meses. A gente sabe que o crime não é certo, mas eu me ponho no lugar. Imaginei a minha filha passando fome. O que eu não faria nessa situação?”, questionou.

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