Mais uma vez arrumamos as malas para outra de muitas viagens, exigidas pelo fato de os três filhos residirem fora de nossa Campo Grande, a então pequena, mas já pujante cidade que me adotou aos doze anos de idade.
Desta vez o destino é Londrina, bela cidade do norte paranaense, agora para comemorar o aniversário da filha que ali reside, mas fizemos uma escala em São Paulo para uma visita às queridas amigas, as irmãs Helena e Elza Muller.
A doutora Helena Muller é professora na Faculdade de Medicina da Santa Casa e já formou grande número de médicos que atuam por este Brasil afora. Em nossa capital morena é possível encontrar ex-alunos seus. Ela é também a mãe da Cláudia, esposa de nosso filho Oswaldo. Elza, por sua vez, está aposentada como professora, tendo lecionado língua portuguesa por longos anos, inclusive em escola para estrangeiros.
Ambas são muito cultas e conversar com elas é muito prazeroso. O carinho com que nos tratam quando as visitamos nos sensibiliza profundamente.
O majestoso Boeing 737-800 da Gol, “o estado da arte” em matéria de aeronave, como diz a propaganda da empresa, pousou pontualmente no aeroporto de Congonhas. Quando suas rodas tocaram o solo, não pude evitar a lembrança do trágico pouso do avião da TAM em 2009, em acidente que ceifou quase duas centenas de vidas.
Tomamos um táxi rumo ao centro. O motorista era um senhor idoso, tipo miúdo, a princípio calado, que se concentrava na direção de seu moderno e confortável veículo. Mas, ao passarmos por um trecho de rua em péssimo estado, com buracos e ondulações no asfalto, fiz um comentário sobre aquilo. Foi o suficiente para destravar o homenzinho, que afirmou ser comum aquele tipo de problema em inúmeras vias da metrópole. Desandou a criticar o atual prefeito e seu antecessor.
Disse que São Paulo não teve prefeitos nos últimos dez anos, pois as únicas obras importantes na cidade foram realizadas pelo governo do Estado. Sobre o atual ministro Gilberto Kassab, prefeito paulistano por seis anos, disse que sua única realização foi a despoluição visual da cidade, com o programa “Cidade Limpa”.
Prosseguiu detonando os políticos em geral, lamentando a gravíssima situação do País, com aumento do desemprego, inflação em alta, o preço dos combustíveis inviabilizando seu trabalho, etc.
Nossa estadia na capital paulista coincidiu com a realização, no domingo, dia 7, de mais uma “Parada Gay”, evento que já se tornou tradição. Por isso, tivemos dificuldades em encontrar vaga em hotéis da região central. Como sempre faço a reserva antecipada, ainda conseguimos uma das últimas vagas num hotel onde já nos hospedamos em outras ocasiões.
Estávamos a poucos quarteirões da Avenida Paulista e podíamos ouvir, durante a maior parte do domingo, os sons da agitação que a manifestação irradiava para os ares paulistanos.
Ao final dessa curta, mas gratificante passagem por São Paulo, rumamos para o aeroporto a fim de tomar o voo para Londrina, onde elaborei estas mal traçadas linhas.
*Advogado e escritor ([email protected])