Correio B

Grifes brasileiras

Brasil poderá produzir algodão de fibra longa para tecidos de luxo

Apenas 3% da produção mundial é de fibras longas e está concentrada apenas nos Estados Unidos, Peru e Egito

Redação

16/06/2015 - 12h09

Pesquisadores da Embrapa selecionaram linhagens de algodão de fibra longa e adaptadas às condições de produção brasileiras. Durante o estudo foi obtida uma alta porcentagem de progênies (plantas filhas) de comprimento superior a 32 mm. O algodão de fibra longa permite a produção de fios mais finos usados pela indústria têxtil na confecção de tecidos de luxo e linhas de costura. Apenas 3% da produção mundial de algodão é de fibras longas ou extralongas e está concentrada nos Estados Unidos, Peru e Egito, país que gerou a chancela "algodão egípcio".

O resultado da pesquisa foi publicado na revista Crop Science com o título "Seleção para aumento do comprimento da fibra de algodão em progênies de Acala e tipos não Acala" 

O ensaio para selecionar as linhagens de fibra longa teve início em 2008, com o cruzamento das cultivares Guazuncho 2, escolhida pela capacidade de produção, e Acala SJ4, pelo comprimento longo da fibra. A partir daquele cruzamento foram selecionadas as plantas com maior comprimento de fibra. 

"Nós avaliamos cerca de 600 plantas no Laboratório de Fibras e Fios, sempre selecionando aquelas com maior comprimento de fibra e eliminando as outras. Ao final do experimento, chegamos a 35 linhagens, sendo grande parte de comprimento entre 32 e 34,1 mm", conta o pesquisador da Embrapa Algodão (PB) Luiz Paulo de Carvalho. 
 
MENOS SUJEITO A DOENÇA
 
Segundo o pesquisador, uma das vantagens desse material é que ele é originário da espécie Gossypium hirsurtum. "Nós poderíamos plantar uma variedade Giza (egípcio) ou Pima (americano e peruano), mas esses materiais de origem do Gossypium barbadense são muito suscetíveis à bacteriose. O nosso material é descendente de G. hirsurtum e com isso esperamos ter menos problemas com bacteriose", compara Luiz Paulo. 
 
Os materiais serão ainda avaliados em ensaios nos campos experimentais da Embrapa para verificar se mantêm as características de fibra. A previsão é que  num período entre três e quatro anos seja selecionada uma cultivar de algodão herbáceo de comprimento de fibra próximo a extralonga, indicada para cultivo na região Semiárida.

MERCADO A EXPLORAR

Em torno de 97% da produção mundial de algodão é de fibra curta e média. Os demais 3% produzidos, de fibra longa e extralonga, são produzidos no Egito, Estados Unidos (cada um com cerca de 40% da produção) e Peru. São os famosos algodões egípcios e algodões Pima. 

Quanto maior o comprimento da fibra, melhor para a indústria têxtil. As fibras longas e extralongas são utilizadas para a obtenção de fios finos a serem usados na confecção de tecidos de luxo e linhas de costura. 

O Brasil já cultivou algodão de fibra longa, o algodão arbóreo (Gossypium hirsutum L.r. marie galante) mas a variedade tem hábito de crescimento perene, o que significa que permanecem vivas no campo por vários anos, o que dificulta o manejo do bicudo-do-algodoeiro e praticamente já não vem sendo produzida nos últimos dez anos. Os novos materiais têm ciclo anual e facilitam o manejo do bicudo.

NICHO DE MERCADO

Para Luiz Paulo, o algodão de fibra longa e extralonga é um importante nicho de mercado que pode ser explorado pelos pequenos produtores do Semiárido, a exemplo de outros algodões especiais como o colorido e o orgânico. O pesquisador explica que a melhoria da qualidade da fibra é uma das estratégias da cadeia produtiva nacional para garantir competitividade. "O algodão tem perdido mercado para as fibras sintéticas derivadas de petróleo e uma aposta para garantir a sustentabilidade da cultura é investir em fibras naturais de qualidade diferenciada e que remunere melhor o produtor," afirma.
 

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