Correio B

Aventura

Canoístas realizam expedição de 6 dias em rio de MS

Para cumprir programação, aventureiros mantiveram mínimo de 10 horas de remo diária

Redação

15/07/2015 - 13h05

Navegar de caiaque pelas águas do Rio Aquidauana, da Ponte Velha ao Passo do Lontra, percorrendo 420 quilômetros, em seis dias. O advogado aquidauanense Valtemir Nogueira Mendes e o coronel de Engenharia Hiran Reis e Silva, que hoje reside em Porto Alegre (RS), mostraram espírito aventureiro e, com muita determinação, cumpriram esse objetivo. 

Valtemir já havia realizado o mesmo trajeto a remo há mais de 20 anos, e aproveitou para atualizar as anotações, desta vez, com dados de GPS, conferindo exatidão às informações. Hiran também conta com grande experiência em aventuras do tipo e já navegou nas águas dos rios Solimões, Negro, Guaíba, entre muitos outros Brasil afora.
 
A dupla partiu do Porto do Soldado, na manhã do dia 30 de junho, acompanhada da jovem canoísta Luiza Cavalieri, iniciando um percurso por águas rápidas e tranquilas. Para cumprir o tempo programado, os aventureiros estabeleceram que deveriam manter um mínimo de 10 horas de remo diárias, para cobrir 70 quilômetros a cada 24 horas.
 
"Para quem vai de barco a motor, o mesmo ritmo pode ser aplicado, entretanto, a distância diária de 70 quilômetros pode ser cumprida em três ou quatro horas, dependendo do motor, restando mais tempo para acampamento e pescaria", aconselha Valtemir.
 
No primeiro dia, regiões conhecidas foram devidamente registradas e deixadas para trás, como a Ponte de Ferro, a Toca da Onça e as fazendas Anhumas, Boa Vista, Santo Antônio e Pequi. A maior preocupação ficou por conta da chalana, que demorou a aparecer, forçando a dupla a parar em um pesqueiro.

Diante dos poucos peixes que davam as caras nas frias e barrentas águas do Rio Aquidauana, a maior atração foi a presença de um cachorro do mato, bastante manso, que até brincou com os navegantes. A chalana, enfim, apareceu, depois do jantar, pilotada por Celso Ortega, o famoso “Velho do Rio”.
 
O segundo dia de viagem marcou a despedida de Luiza, que retornou para Aquidauana. Além de visitarem as instalações da Pousada Aguapé, na Fazenda São José, o coronel e o advogado também passaram pelas fazendas Pequi, Copacabana e Leblon. 
 
Segundo o coronel Hiran, um dos grandes prazeres de aventuras como essa é usufruir das belezas naturais que cercam o Rio Aquidauana e poder superar os mais diversos tipos de obstáculos, como a instabilidade das águas, o vento e o cansaço, A terceira etapa da navegação, com passagens pelas fazendas Jatobá, Segunda Esperança, Retirinho e Panamá, foi um espetáculo da natureza pantaneira aos olhos do militar, que disse ter visto animais como "preguiçosos" jacarés-tingas, "irritadas e abusadas" ariranhas e aves cabeças secas.
 
“Com humildade aprendo com as águas, com os ventos, comecei a entender suas mensagens sutis, observando as nuvens, os animais. Aprendi a reconhecer minha capacidade e minhas limitações, a fazer companhia a mim mesmo e me alegrar com isso, a refletir sobre minhas ações”, conta o militar.
 
DIFICULDADES
 
Do quarto dia em diante, por volta do quilômetro 230, na Fazenda Porto Ciríaco, não há mais qualquer tipo de referência ou comunicação em caso de necessidade. O percurso fica ainda mais complexo após as passagens pela Fazenda Santa Sophia e o Porto São Domingos, quando começa a região conhecida como “Matinha”, sem quase nenhum local para acampar, ou mesmo descer do barco.
 
“Recomendo provisões, alimentação suficiente e material confiável, especialmente para esse trecho. É muito importante, ainda, ter experientes e confiáveis companhias, pois a região é inóspita e seria ingenuidade pensar que não existem riscos durante a expedição”, alerta Valtemir.
 
Foram 55 quilômetros percorridos até a região do Touro Morto, próxima referência com habitação e comunicação. A dificuldade é recompensada pelo cenário, considerado deslumbrante, nas palavras da dupla de aventureiros. A parte final da expedição, até o Passo do Lontra, em Corumbá, é o trecho mais bonito da viagem.
 
“A fotografia mais interessante foi de um casal de bugios que, abraçados, protegiam o filhote da friagem”, lembra o coronel Hiran.

CHEGADA

A chegada ao Passo do Lontra - complexo hoteleiro que hoje é referência internacional para o turismo - ocorreu no tempo programado, resultando na sensação de objetivo cumprido e muitas boas histórias para contar.

Para quem pensa em se inspirar na dupla e realizar a mesma aventura, a dica é para que a programação seja feita com antecedência e estipule um tempo a mais, sete ou oito dias, para o trajeto.

Além, claro, de ser recomendado levar os equipamentos necessários para fotografar e filmar as belezas das paisagens do Pantanal.

Valtemir e Hiran agradeceram o apoio dos amigos Pedro Osório, Zé do Pioneiro, Rodgers do Atlântico, Ronaldo da Estação Pantaneira, coronel Jurandir, capitão Roney, tenente Sidney, sargento Cruz, entre outros, além de toda a equipe da Pousada Aguapé.

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