Correio B

CORREIO DO ESTADO

Crônica de Theresa Hilcar:''Todos os vícios"

Crônica de Theresa Hilcar:''Todos os vícios"

Redação

21/07/2015 - 00h00

Bloqueio criativo é algo que escritores e jornalistas têm de vez em quando. É aquele momento em que olhamos para a tela e nada, nenhuma frase nos ocorre. 

Há quem diga que estes  momentos, quando superados, são mágicos e podem produzir ótimos textos. Tenho minhas  dúvidas. Não me lembro a última vez que isto aconteceu comigo, mas nesta semana estou  sendo tomada pelo conhecido “branco” – que também pode ser chamado de “apagão”. O começo até que é fácil, mas no segundo parágrafo a coisa desanda de vez. 

Em tempos idos, costumava carregar uma caderneta para anotar todas as ideias que me vinham à cabeça. Parei com este hábito e passei a confiar na memória, o que, convenhamos, foi uma  péssima escolha.  

Dizem que, depois de algum tempo de vida, nosso cérebro (ou hardware) fica sobrecarregado  com tantas informações e, às vezes, pifa. O primeiro comprometimento é a memória. Não sei se falam isto para nos confortar ou se é verdade pura. Talvez por isto ande tão enjoada de  notícias, de ler tudo o tempo todo, como sempre fiz. 

Praticamente desliguei a TV e só passo os  olhos pelos jornais do dia, sob força da profissão. E, claro, não suporto mais sites de notícias, tampouco redes sociais. Ultimamente, só uma coisa me toma o tempo: as séries de TV. E,  correndo o risco de ser julgada por incautos e puristas, estou praticamente viciada. 

Consigo assistir a seis, sete, até oito horas seguidas de uma série. E, como todo viciado, sempre  digo que vou parar no próximo episódio. A bola da vez, ou a droga da vez, é uma série  chamada “Mad Men”, que conta a história de agências de publicidade norte-americanas nos  anos sessenta. São sete temporadas e já vi seis, em pouco mais de uma semana. 

Acompanho cada cena na pequena tela do meu notebook, pois minha TV, antiga, não possui o dispositivo da Netflix. E é aí que mora o perigo, pois costumo assistir deitada, confortavelmente, às vezes nem tanto, na minha cama. Isto para quem, há anos, aboliu a televisão do quarto de dormir é  infração das mais graves.

Uma das vantagens de morar sozinha é não ter que dar satisfações a ninguém. Ou seja, posso passar horas e horas agarrada à telinha do computador que ninguém vai me dizer coisa  alguma.

Tampouco vão me interromper ou dizer que estou passando dos limites. Nada. Não  tenho nenhum tipo de intervenção. E posso me dar ao luxo de não atender o telefone, a campainha e muito menos o interfone. Viva a solitude! Eu sei, parece loucura, mas é  simplesmente vício.

Como o cigarro, o álcool, jogo ou as drogas e o celular. 

A compulsão é a  mesma – só muda a substância. O ser humano tem a capacidade de se agarrar muito fácil a tudo que lhe tire da realidade. 

Neste caso, a série “Mad Men” me leva a um tempo em que a vida parecia, realmente, bem mais simples, e as pessoas, quase ingênuas. O cigarro ainda não fazia mal, o uísque era a bebida da  hora, homens e mulheres tinham papéis definidos, ninguém falava em academia de ginástica, a palavra de ordem era paz e amor, e os Beatles estavam na crista da onda. 

Ou seja, difícil resistir. Só mesmo a crônica de terça, mesmo assim meio torta, para me trazer de volta à  superfície e furar o bloqueio. A literatura, no meu caso, é o que sempre me salva. Ainda bem.

DIÁLOGO

A reeleição de Lula para mais quatro anos de mandato jogou um balde de... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (4)

04/11/2026 00h02

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

Continue Lendo...

Prevenção

Novembro azul chama atenção para os cuidados com a saúde do homem

Mês também traz a temática do câncer de próstata, os principais sintomas a que eles precisam estar atentos e os desafios que ainda permeiam o autocuidado e a busca por avaliação que atrasam o diagnóstico

03/11/2026 11h00

Médico cita que muitos homens cresceram associando a procura por ajuda à fraqueza e aprendendo a minimizar sintomas, o que pode gerar consequências graves

Médico cita que muitos homens cresceram associando a procura por ajuda à fraqueza e aprendendo a minimizar sintomas, o que pode gerar consequências graves Foto: Arquivo / Reprodução

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).