Correio B

Crônica

Theresa Hilcar: "Meu guru Sri Prem Baba"

Theresa Hilcar: "Meu guru Sri Prem Baba"

Redação

03/11/2015 - 00h00

Eu tenho um mestre. Finalmente, e depois de longa caminhada, encontrei um mestre. Que também pode ser chamado de guru. Seu nome é Sri Prem Baba, cujo significado é Pai do Amor.

E não, ele não prega nenhuma religião, não faz curas, não pede nada. Guru é um professor, alguém que tem uma luz superior, que abandonou a vida material e que nos ajuda em nosso autoconhecimento, algo que não conseguimos descobrir sozinhos. O guru é uma porta. Entra quem quer e quem está disposto a sair da escuridão e olhar para dentro de si mesmo.

Dizem que o mestre só aparece para quem está pronto. Eu acredito nisto. Durante anos procurei por ele. Andei por vários templos, inúmeras igrejas,  consultórios, nos  mais diversos cursos e encontros espirituais, até em locais inusitados.

Mas a verdade é que ele veio até mim. Quando eu já havia desistido da busca, eu encontrei. A primeira vez que ouvi  falar em seu nome foi durante estada na Índia, em meio a uma dessas buscas.

Lá, num Ashran onde havia não um mestre, mas um casal de mestres, alguém tão insatisfeito e perdido como eu, naquele universo estranho, me disse que havia um brasileiro em Rishikesh que estava atraindo  multidões. Convidou-me para fazer a viagem até lá. Não fui.

Estava do outro lado do mapa e tive receio de atravessar o País com uma desconhecida, numa aventura incerta. Hoje, sei que aquela não era a hora.

Cinco anos depois, abro o jornal Folha de São Paulo e dou de cara com o nome que ouvi na  Índia: Sri Prem Baba. 

A entrevista de página inteira me chamou atenção. Suas palavras me fascinaram. Passei a pesquisar o nome, sua história e, diante daquela fisionomia que me pareceu doce, alegre e amorosa, resolvi – jurando que seria a última vez que faria isto – ir ao  seu encontro. Baba vive pelo mundo, principalmente na índia, mas passa dois meses ao ano no  Brasil, em Alto Paraíso de Goiás.

A cidade é minha conhecida. Tenho amigos lá. Mas fui direto  para seu Ashran, um lugar simples, mas extremamente acolhedor, onde as pessoas passam o  dia praticando yoga, fazendo cursos/terapias, cantando mantras e ouvindo as palavras do  mestre uma vez ao dia, no que é chamado Satsang. 

Ao vê-lo entrar sorrindo no salão, repleto de pessoas de todas as nacionalidades, meu coração  se abriu. Lágrimas rolaram pelo meu rosto, sem que eu tivesse qualquer motivo ou controle. Eu havia, sim, encontrado meu mestre, em carne e osso.  

Prem Baba é um líder humanitário e espiritual. Sua proposta é extremamente simples, embora devo confessar – não é nada fácil:  devemos praticar o amor incondicional, a autorresponsabilidade e o silêncio (meditação). Mas, para isto ser alcançado, é preciso, antes, limpar o nosso ser de todo o passado, todas as marcas,  mágoas, raivas, de toda ilusão.

Não é fácil, porque estamos extremamente apegados ao sofrimento, ao papel de vítima, e procuramos a felicidade nos lugares onde ela não se  encontra. Ou seja, fora de nós. Queremos ser amados, mas não amamos, queremos prosperidade, mas não conseguimos repartir; queremos ser felizes, mas não sabemos perdoar,  nem agradecer. Esquecemos quem somos. Porque, quanto maior a dor, maior é o  esquecimento. Esta é a essência dos ensinamentos de Prem Baba.

A atriz e escritora Bruna Lombardi, uma de suas seguidoras, disse em recente entrevista que viver é preciso, mas buscar é absolutamente imprescindível. Nada mais coerente e verdadeiro. 
Sair do lugar é vital. O mundo não suporta mais a miséria que se instalou nos corações e nas mentes de milhares e milhares de pessoas, criando guerras, diferenças, preconceitos, violência.

A dor, já disse outro mestre, Buda, é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Por isto  Baba criou um programa chamado Awaken Love (Caminho do Amor), cujo objetivo é fazer uma  corrente amorosa – de ações e pensamentos – pelo mundo.

O impulso de escrever esta  crônica sobre o mestre foi a vontade de convidar cada leitor a fazer esta caminhada. Não  importa sua crença, não importa sua religião, ou a falta das duas.

Para iluminar o mundo, é  preciso, antes, iluminar a nós mesmos. E o amor, meus caros, é a única coisa que nos salva da  miséria interior. 

Namastê!

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