Correio B

PROJETO

Primeiro museu dedicado a Shakespeare é recriado em ambiente virtual

Inaugurado na quarta-feira (16), o ambiente digital recupera as três salas do edifício original de Londres

Redação

17/12/2015 - 17h46
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Em comemoração do quarto centenário de William Shakespeare, em 2016, a Universidade do Texas recriou em um ambiente virtual o primeiro museu dedicado ao dramaturgo.

A Galeria Shakespeare foi inaugurada pelo editor John Boydell em 1789, em Londres, e fechada em 1805. Segundo o jornal americano "The New York Times", suas telas representando cenas do dramaturgo eram uma sensação, atraindo multidões.

Para alguns acadêmicos, a galeria contribuiu para cimentar Shakespeare como ícone britânico.
"Era o equivalente da era georgiana a assistir a uma 'maratona' de Shakespeare", explicou ao "Times" a professora de inglês Janine Barches, à frente do projeto de recriação digital.

O projeto começou quando Janine Barches trabalhava com o resgate de uma exposição do pintor Joshua Reynolds visitada por Jane Austen em 1813, uma iniciativa chamada "What Jane Saw" ("o que Jane viu"). Ela percebeu, então, que o prédio sobre o qual pesquisava também recebeu a Galeria Shakespeare.

Inaugurado na quarta-feira (16), o ambiente digital recupera as três salas do edifício original, com suas paredes azuis e cenas famosas das peças do Bardo. Com um clique, a reprodução das telas nas paredes são ampliadas e mostram ficha técnica com autor, preço de venda e o trecho de Shakespeare no qual se baseia a obra.


RELEVÂNCIA HISTÓRICA
Além de contribuir para o mito do homem, a galeria de Boydell ajudou a construir a cultura moderna dos museus no século 18, com seu apelo democrático à classe média carente de expressões artísticas.

"Hoje em dia, museus vivem ou morrem de acordo com suas habilidades de engajar o público", afirmou Rosie Dias, historiadora da arte da Universidade de Warwick. "Isso é algo que podemos conectar a Boydell."

A galeria fazia parte do esforço de Boydell de promover a arte britânica a consumidores de classe média. Seu sustento enquanto empreendimento comercial vinha das gravuras feitas por Boydell e vendidas como suvenir na loja da galeria.

Enquanto alguns acadêmicos criticam o oportunismo do empreendedor em tentar lucrar com as gravuras no estabelecimento artístico, outros o defendem em nome da "promoção da essência cultural britânica" feita por ele.

"Era um projeto muito nacionalista. Ele dizia que, ao comprar uma gravura ou uma edição das peças de Shakespeare, você demonstrava seu patriotismo", argumenta Thora Brylowe, professora-assistente de inglês na Universidade do Colorado.

A Galeria Shakespeare fechou as portas em 1805, afundada em dívidas após o mercado de arte quebrar com as guerras napoleônicas. Seu acervo foi sorteado em loteria, mais tarde revendido a preços reduzidos pelo vencedor.

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