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Literatura

Companhia das Letras adquire parte do catálogo da Cosac Naify

Ficção, clássicos, antropologia e infanto juvenil foram adquiridos por Cia das Letras

A editora Companhia das Letras comunicou, na tarde desta segunda (21), ter adquirido parte do catálogo da Cosac Naify, que recentemente anunciou seu fechamento.

Charles Cosac, dono da casa que leva seu sobrenome, disse ter sido procurado por diversas editoras interessadas nos títulos, mas que "gostaria de entregar o que interessa a quem possa continuar e tenha estrutura melhor que a Cosac Naify". E a "mais franca", afirmou, foi a Companhia.

O presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, declarou que sua editora fez "uma abordagem elegante e vagarosa, mesmo que contra a maré".

"Queremos acreditar na viabilidade da boa literatura ainda em tempos difíceis. Para quem gosta da grande literatura não há como manter postura passiva perante o fim de um patrimônio literário criado por Charles Cosac e pela equipe que comandou a editora através dos tempos", diz Schwarcz.

O acordo, segundo a nota divulgada pela Companhia, "visa perpetuar importante parcela do catálogo da Cosac Naify, sobretudo nas áreas da ficção literária, clássicos, antropologia e literatura infantojuvenil". O restante do catálogo será negociado com outras editoras.

Segundo Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, são entre 50 e 70 títulos - a lista final ainda está em negociação, pois "depende da anuência de autores e detentores de direitos autorais, processo este ainda em curso", disse o publisher. Charles Cosac revelou dois nomes que serão herdados pela Companhia: Jorge de Lima e Murilo Mendes.

O nome Cosac Naify continuará em uso, mas apenas até dezembro de 2016, para a edição de cinco monografias de artistas, já em progresso.

DEMAIS TÍTULOS

Charles Cosac disse à reportagem que tem satisfação em dar destino a 70 títulos, "mas ainda faltam uns 1.500".
Segundo ele, existem editoras interessadas nas obras de design, fotografias e ensaios.

"O problema é que nós trabalhamos em séries e eles querem apenas os títulos que vendem. Estou tentando manter as séries unidas", diz. "Por exemplo, a série do Ismail Xavier tem 20 volumes - apenas três vendem e despertam a atenção. Ninguém quer os outros 17."

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