Frequentemente viajamos para Várzea Grande, estado de Mato Grosso, onde moram parentes nossos, consanguíneos e afim: filha, neto e genro. Quem viaja para essa cidade normalmente diz que vai a Cuiabá. Se dissermos Várzea Grande, poucos saberão que lugar é esse.
O aeroporto, oficialmente denominado “Marechal Rondon”, está nela situado, mas a tripulação da aeronave diz, por exemplo, no costumeiro aviso de aproximação: “Senhores passageiros, dentro de instantes pousaremos no aeroporto de Cuiabá, onde a temperatura é de 35 graus”. Soube que há algum tempo a administração pública de Várzea Grande teria reclamado perante a Infraero, e, por um breve período, passou-se a dizer “...pousaremos no aeroporto de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá...”. Menos mal, mas isso durou pouco.
A localização do aeroporto na margem direita do formoso Rio Cuiabá pode ser atribuída ao fato de, na capital, não haver área plana nas proximidades do núcleo urbano, na qual se pudesse construir uma pista de pouso para aviões de maior porte.
Uma curiosidade interessante: nesta, como em outras localidades separadas por grandes cursos d’água, verificam-se diferenças marcantes na topografia: Cuiabá está numa região caracterizada por ondulações, mais ou menos acentuadas, enquanto na margem oposta do rio o terreno é bastante plano.
Mudando de direção, constata-se que tal diferença também ocorre no caudaloso Rio Paraná, pelo menos em grandes trechos que separam os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul: do lado paulista observam-se margens elevadas, que contêm de modo firme o grande volume de água; do nosso lado as margens são suaves, sem aclives acentuados, o que provocou a inundação de grandes áreas do território sul-mato-grossense por ocasião do represamento das águas para formar o lago da hidrelétrica Usina Sérgio Motta, conhecida como “Porto Primavera”.
Voltando a Várzea Grande, a segunda maior cidade de Mato Grosso, com pouco mais de 252.000 habitantes em 2010 e quase 150 anos em 2015, constata-se que ela guarda uma diferença abissal em relação a Cuiabá, em termos de desenvolvimento.
Grande parte de seus habitantes trabalha e gasta seu dinheiro na capital. Mas ela tem uma “vantagem” em relação a esta: os poucos metros de trilhos assentados do VLT (veículo leve sobre trilhos), destinado a transportar os turistas da copa de futebol de 2014 (!), estão em seu território, nas imediações do aeroporto, onde começa.
Por ali, também estão estacionados os vagões já adquiridos para o tal transporte. Em contrapartida, sua principal via urbana, a Avenida da FEB, ostenta a enorme cicatriz causada por esse empreendimento inacabado.
Com a caríssima obra abandonada, é de se perguntar o que será feito com esse acervo e quem responderá pelos imensos prejuízos impingidos ao contribuinte.
Em frente ao aeroporto, foi agora inaugurado o primeiro shopping center da cidade. Aí surgiu na internet: “Moro em Várzea Grande e já não preciso mais cruzar o rio para andar de escada rolante”.