A fronteira ao sul de Mato Grosso do Sul é um espaço de história e memória. Pensando nos 150 anos da Retirada da Laguna, que acontece em 2017, a Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei) vem se reunindo com grupos de diversos setores, para viabilizar ações de homenagem à data, uma vez que a retirada é um episódio importante para o desfecho da Guerra da Tríplice Aliança. A programação deverá ser lançada em 5 de abril.
“Criamos uma comissão formada por diversas instituições interessadas. As universidades, as prefeituras, o Exército Brasileiro e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul são algumas delas”, explica Zito Ferrari, superintendente de cultura da secretaria. Desde novembro do ano passado, foram realizadas duas reuniões, as quais estabeleceram algumas ações.
Entre elas, está a demarcação da rota da Retirada da Laguna com marcos, no caminho que se inicia em Bela Vista e segue até Porto Canuto, em Anastácio. “Atualmente, existem 13 totens pelo caminho. Em parceria com o Exército, vamos colocar outros 104 demarcando a rota feita pelas forças brasileiras”, explica Matheus Dauzacker, superintendente de turismo.
Segundo ele, um dos objetivos da ação é elaborar uma nova rota turística na região, que envolva cultura, gastronomia, história e o cenário natural. “O traçado da Retirada da Laguna passa ao lado de Bonito e Bodoquena, e chega ao Pantanal. Estamos organizando tudo isso e queremos atrair o interesse da iniciativa privada para esse projeto”, comenta o superintendente. Para ele, o público interessado em algo do tipo é grande. “Existem diversos países com históricos de guerra que investiram para que os fatos não sejam esquecidos. Queremos o mesmo”, pontua.
Parque ajuda a contar história da Guerra da Tríplice Aliança (foto: Divulgação)As ações alusivas à Retirada da Laguna são diversas. Um dos projetos prevê a criação de um selo comemorativo pelos Correios. Outro é o de republicação de trabalhos do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, relativos à Guerra do Paraguai. Novas edições de obras como “Inocência”, “A Retirada da Laguna” e “Senhorinha” também estão previstas. Eventos acadêmicos também estão sendo organizados.
Entre 17 e 19 de maio, o campus de Aquidauana, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sediará o primeiro Seminário Internacional sobre a Guerra do Paraguai, o qual vai trazer pesquisadores do Paraguai, da Argentina e do Uruguai, além de brasileiros, para discutir diversos pontos sobre o maior conflito armado que se deu em solo brasileiro. O dia de encerramento do seminário, 19 de maio, celebra o bicentenário de um dos homens coroados pelo Exército Brasileiro como um de seus heróis: Pedro Rufino.
Rota da retirada da LagunaEm Bela Vista, o Parque Histórico Colônia Militar dos Dourados conta com uma área de cerca de 70 hectares. O local eternizou o sítio em que 15 homens lutaram em defesa da fronteira brasileira. Sem artilharia, os homens comandados por Antônio João Ribeiro, tenente de Cavalaria, foram dizimados por uma coluna de assalto paraguaia de 300 homens.
Do outro lado da fronteira, a 40 quilômetros de Pedro Juan Caballero, está localizado o Parque Nacional Cerro Corá. No local, deu-se a batalha que colocou fim ao conflito. Cerca de 4,5 mil homens do exército da tríplice aliança enfrentaram 450 homens paraguaios. “O que estamos propondo para os 150 anos da Retirada da Laguna é a renovação do diálogo entre essas regiões, para que os turistas possam visitar esses locais ricos de história”, comenta Athayde Nery, secretário de Cultura do Estado. Com a certeza de que o trabalho será grande, todos os envolvidos vêm se movimentando à exaustão, para garantir que os 150 anos da Retirada da Laguna seja um marco histórico. Parece que estão no caminho certo.