Fãs de cinema e de super-heróis ficaram animados com a aparição do Homem-Aranha no último trailer de “Capitão América: Guerra Civil”, lançado na quinta-feira. Em Campo Grande, um Spider-Man também é responsável pela alegria de muita gente. Ele e outros super-heróis, como Super-Homem, Batman, Bat-Girl, Demolidor, entre outros, fazem parte da Liga do Bem, uma entidade não-governamental nascida com um objetivo simples: propiciar a quem precisa, carinho, solidariedade e atenção.
No início do mês, a liga ganhou notoriedade ao visitar o menino de quatro anos vítima de tortura no hospital em que estava internado. A foto foi divulgada pela assessoria da Santa Casa de Campo Grande. “Assim como ele, muitas outras crianças, adolescentes, adultos e idosos recebem nossa atenção. Fazemos o que está ao nosso alcance para espalhar alegria”, explica J. F., um dos idealizadores do grupo. Assim como acontece no mundo dos super-heróis, as identidades são mantidas em segredo. A entidade tem entre suas regras que os voluntários não se identifiquem.
Segundo ele, a Liga do Bem foi criada em outubro de 2013. “Próximo ao meu aniversário, comecei a pensar em como eu gostaria de festejá-lo. Fui voluntário na AACC durante muito tempo e estava pensando em retomar essas atividades”, explica. Assim surgiu a ideia de se vestir como Super-Homem, um de seus personagens favoritos, e visitar o Centro de Tratamento de Oncologia Infantil (Cetoi) do Hospital Regional. Aos poucos, a ideia ganhou novos adeptos, pessoas que queriam participar e, ali, nasceu a liga.
A caminho do terceiro aniversário, a entidade se tornou um case de sucesso. Conta com cerca de 140 voluntários, uma página no Facebook com mais de 12 mil curtidas e um calendário lotado de ações. No sábado, por exemplo, eles visitaram o Asilo São João Bosco no período vespertino. “Nós seguimos a lógica dos super-heróis, que é aquele que sacrifica sua vida pessoal em prol de outras pessoas. É isso que tentamos fazer”, comenta.
VOLUNTÁRIOS
Os primeiros a entrar na liga tiveram liberdade total para a escolha dos personagens que personificariam. Logo, os nomes mais disputados foram os primeiros a surgir, como o Super-Homem, o Batman, a Mulher-Maravilha e a Bat-Girl. “Eu sempre fui muito fã do Batman, mas como sou mulher, optei pela Bat-Girl. Eu fico feliz por poder ajudar quem está precisando e também gosto muito da ideia de me vestir como uma heroína”, explica a advogada L. C. C. F.
Ela entrou para a Liga do Bem no primeiro dia das atividades. “Nunca imaginei que pudesse tomar essa proporção maravilhosa”, comenta. Apesar da vontade de fazer trabalho voluntário que data da adolescência, a Bat-Girl viu a oportunidade surgir em uma fila de supermercado. “Uma pessoa comentou comigo que haveria uma ação no Hospital Regional e devíamos ir fantasiados”, explica.
Atualmente, para participar da liga é preciso dedicação. Para garantir a segurança de todos e evitar problemas nas instituições que visitam, existe uma lista de regras e protocolos a serem seguidos. O treinamento de dez dias é feito pela Internet. Também são realizadas duas atividades práticas.
J. B. F. J., de 29 anos, foi um dos que passaram pelo treinamento. Ele atuou durante algum tempo na área de apoio da entidade e, posteriormente, foi convidado a ser juntar e atuar como Homem-Aranha. Em razão da quantidade de pessoas que fazem parte da liga, a escolha de qual herói cada um vai ser é feita pela equipe. “No meu caso foi um pouco diferente. Eu sugeri o herói porque gostava muito dele e, na época, ainda não havia ninguém vestindo a roupa azul e vermelha do Aranha”, comenta.
A medida que a liga cresceu, novos personagens passaram a fazer parte da equipe. De princesas da Disney a Vovó Mafalda, a variedade é enorme. Há, inclusive, versões diferentes de um mesmo super-herói. “Temos dois Batmans, por exemplo. Um clássico e outro mais dark”, comenta J. F. Quem tem interesse de participar, pode entrar em contato com a Liga do Bem pela página que eles mantém no Facebook.