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Teatro destinado para crianças e jovens estimula imaginação e criatividade

Teatro destinado para crianças e jovens estimula imaginação e criatividade

Redação

18/03/2016 - 15h33

Neste final de semana, duas peças voltadas para o público infatojuvenil entram em cartaz em Campo Grande. Tratando de temas como generosidade, convívio em sociedade, discriminação social e abuso de poder, as montagens prometem encantar e, ao mesmo tempo, transmitir valores aos mais jovens.

Em entrevista ao Correio B, os realizadores falam sobre a importância de levar o teatro ao público infantil e o papel que esses textos desempenham na formação das crianças.

HARMONIA

O Teatro da Juventude, companhia do Rio de Janeiro, tem vasta experiência e trajetória no teatro infantil. Há mais de cinco décadas, o diretor e dramaturgo Luiz Arthur cria e divulga espetáculos voltados àt crianças. E desde 1974, a companhia traz suas montagens para os palcos de Campo Grande.

Desta vez, a peça que promete encantar os pequenos fala sobre o reino animal. “O Macaco Cozinheiro da Arca de Noé” retrata as confusões entre os bichos que foram confinados durante 40 dias dentro da Arca de Noé. Chico Bananada, o macaco interpretado pelo ator Marcelo Dussi, é eleito o cozinheiro do lugar, mas irrita a bicharada ao servir sempre pratos feitos com seu ingrediente favorito: bananas.

“O espetáculo é sobre generosidade e a arte do convívio”, explica o ator. “Lógico e evidente que isso é uma parábola e uma metáfora. Foi a maneira que encontramos de mostrar que precisamos conviver com nosso semelhante. Seja a pele mais escura ou mais clara, todos somos seres humanos e temos que conviver em harmonia. É essa mensagem”, define.

De acordo com Marcelo, a proposta das peças é sempre promover a integração com o público. Cada montagem funciona como uma contação de história. “Eu faço como se fosse para apenas uma criança e ela se sente inserida naquela história”, afirma. 

O diretor do espetáculo, Luiz Arthur, que tem mais de 50 produções infantis no currículo, defende que o teatro seja uma libertação criativa para crianças cada vez mais presas nas telas eletrônicas.

“Nos dias de hoje, tudo se tornou muito mecanizado, então a criança fica com pouca oportunidade de exercer sua inteligência, a sua capacidade”, avalia. “O teatro é um bom caminho para despertar na criança o raciocínio, o interesse dos porquês. É um exercício de inteligência”.

A peça tem classificação livre. Segundo o diretor, é ideal para crianças na faixa etária dos três aos nove anos.

CLÁSSICO

O grupo teatral Arte Boa Nova, de Campo Grande, é mais conhecido por suas produções baseadas em teorias de Allan Kardec (um dos principais divulgadores da filosofia espírita).

Contudo, neste final de semana, a companhia estreia uma novo espetáculo destinado a crianças a partir dos dez anos de idade.

“O Corcunda de Notre Dame” é o primeiro musical do Arte Boa Nova, baseado na obra clássica do francês Victor Hugo, publicada em 1831.

O diretor da peça, Nelson Peixoto, fala sobre o processo de criar uma montagem infantojuvenil, após tantos projetos inteiramente adultos. “A principal diferença que sentimos foi na questão de linguagem. É possível falar sobre qualquer tema com as crianças, mas é preciso adequar a linguagem”, defende. “Nós temos uma equipe com profissionais de todas as áreas, então utilizar essa didática não foi tão difícil”.

Para Nelson, a peça irá transmitir valores importantes e atemporais. “O enredo traz os conflitos sociais da época, como segregação social, discriminação social e abuso do poder. Tudo isso está inserido na dramaturgia de Victor Hugo e não ficou perdido no século em que ele escreveu. É ainda muito atual e válida, são questionamentos que trazemos até hoje”.

A identidade do Arte Boa Nova também foi inserida no texto, com um final pautado na solidariedade. “Mesmo com ideias contrárias, a solidariedade é vivenciada pelos antagonistas. A peça fecha muito bem com essa mensagem”, conclui Nelson.

A peça é indicada para adultos e crianças a partir dos dez anos de idade. O diretor acredita que crianças menores poderão não compreender o conteúdo do espetáculo, por conta da complexidade da narrativa.

HÁBITO

A arte-educadora, atriz e diretora Ramona Rodrigues, da Capital, realiza um trabalho contínuo de cursos e oficinas para crianças.

Com experiência também no teatro infantil, Ramona acredita que a criança não pode ser subestimada em sua capacidade de entendimento. “A responsabilidade com a criança é sempre muito grande, pois elas são muito sensíveis, captam todas as energias. Não pode fazer como se elas não entendessem, pois elas entenedem muitas coisas”, argumenta. 

Para a diretora, excesso de didatismo, como as peças pautadas pelas lições de morais marteladas em todo o roteiro, não são uma boa opção de divertimento para o público infantil. “A criança já tem tanta coisa didática no mundo dela, seja na escola ou em cursos. O teatro não precisa ter essa função panfletária. É preciso divertir, trabalhar a emoção e estimular a brincadeira, que é um instrumento maravilhoso para a criança descobrir conceitos como amizade”.

Dois conceitos são essenciais, segundo Ramona: simplicidade e muita criatividade. Grandes cenários e produções não são imprescindíveis em um teatro infantil. “A simplicidade vai instigar a criatividade  e estimular os valores como amizade, amor  e companheirismo”.

O ator Marcelo Dussi, da Teatro da Juventude, do Rio de Janeiro, alerta para a importância de levar as crianças ao teatro. “Precisamos criar hábito desde cedo. Se uma criança não tiver o hábito de ler desde pequena, quando for adulta não vai gostar de ler. E como funciona o hábito? Não é só a escola levar ao teatro. É a família ir junto, a criança se sente valorizada. A arte nos humaniza”, conclui Marcelo.

PROGRAMAÇÃO

O MACACO COZINHEIRO DA ARCA DE NOÉ
- Amanhã e domingo, sempre às 16h, no Teatro Aracy Balabanian (26 de Agosto, 453)
- Entrada: R$ 60 (entrada inteira), crianças até dois anos de idade não pagam. Informações pelo telefone 3317-1795.

CORCUNDA DE NOTRE DAME
- Amanhã, com sessões às 16h e às 19h; e domingo, às 16h, no Teatro Glauce Rocha (na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
- Ingressos a R$ 50 (antecipado) ou R$ 25 (meia entrada); ou pacote família (R$ 15 o ingresso adquirindo 4 ou múltiplos de 4)
Informações no 3042-4782 ou 9917-5789.

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