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Páscoa sem ovos: para alguns, o chocolate é dispensável e perde protagonismo na data

Páscoa sem ovos: para alguns, o chocolate é dispensável e perde protagonismo na data

Redação

26/03/2016 - 15h47

Desde meados de fevereiro, os supermercados de Campo Grande já começavam a ser invadidos pelos ovos de chocolate, que dominam o dia de Páscoa. De diversos tamanhos e sabores, os produtos ainda prometem trazer brindes e fazer a alegria das crianças. 

Contudo, por mais antiga que seja a tradição, muitas pessoas desistiram de trocar ovos de chocolate entre seus amigos e familiares. Seja por conta dos preços altos ou por simplesmente não sentir a falta do doce, é cada vez mais comum encontrar quem celebre a data sem este tipo de presente.

A professora de Sociologia Tábata Rauschkolb, 26 anos, cresceu ganhando ovos de chocolate dos pais. “Tenho ótimas lembranças”, afirma. Porém, conforme os anos foram passando, Tábata perdeu o interesse na tradição.

Atualmente, ela passa pela Páscoa sem ovo de chocolate. “Para mim, não faz muita diferença, não é uma coisa que eu me importe efetivamente”, explica. A professora se considera chocólatra e prefere gastar seu dinheiro de uma maneira mais inteligente: com barras de chocolate, que saem mais em conta. E nem precisa esperar pelo domingo de Páscoa. “Eu compro frequentemente, porque gosto muito.”

Na casa da estudante de Comunicação Social Isadora Leiria, 22 anos, os ovos de chocolate foram deixados para trás. Há três anos, toda a família resolveu substituí-los por caixas de bombons e outros formatos mais econômicos.

“Os preços são absurdos. Pagamos o preço do brinde, e não pelo chocolate. É muito mais barato comprar até três barras de chocolate”, justifica Isadora. “Adotei essa nova estratégia com meu namorado e minhas amigas também. A ideia de nos reunirmos na casa de alguém e fazer docinhos também é mais divertida”, recomenda.

Para a família de Isadora, a Páscoa tem o significado religioso, da ressurreição de Jesus. Por isso, mesmo sem os ovos de chocolate, a data não passa em branco. “Celebramos sempre em família”, define a estudante.

CONDIÇÕES

Enquanto muitas pessoas guardam memórias afetivas em relação aos ovos de chocolate e o coelho símbolo da Páscoa, outros nunca tiveram condições de viver a tradição.

O ator Juan Alan, 21 anos, cresceu sem nunca comer os ovos. “Desde pequeno, minha família nunca teve condições de me dar”, relata.

Atualmente, ele não consome o produto por conta do preço, que considera abusivo. “Pagar R$ 80 em um ovo é fora de cogitação. E, mesmo os que custam R$ 30, acho tudo muito caro”, avalia. “Nem sempre dá para acompanhar o ritmo das datas da forma que a gente quer”, lamenta.

A doutoranda em Química Ingridhy Ostaciana, 26 anos, também reclama dos valores, além de se queixar da correria do ano. A rotina de trabalho diário fez com que  a tradição perdesse o sentido há algum tempo.

“Parece que perdeu a graça, não faço questão”, comenta. “O ano passa muito rápido. Mal acabou o Carnaval, já tem a Páscoa. Vamos piscar os olhos e já vem o Dia das Mães. Não dá tempo de entrar no clima da data”, avalia. A decisão foi cancelar o ovo de chocolate e comprar o doce em barra. “Comprei uma barra de um quilo de chocolate pra mim”, confessa. Apesar da resistência, Ingridhy abriu uma exceção apenas para sua afilhada, pois sabe que esse ato tem um significado maior para as crianças.

AFETO

Mesmo com a decisão consciente de abandonar a troca de ovos de chocolate, Isadora confessa que sente saudades do doce. “Sinto falta, porque me dá uma sensação de nostalgia da infância”, diz.

Contudo, com ou sem ovos de Páscoa, o que importa é o sentimento proporcionado pela data. “A intenção e o carinho com que trocamos os chocolates são o que valem mais mesmo. E chocolate, em qualquer formato, é ótimo”, conclui.

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