O Movimento Concerto comemora uma década de divulgação da música erudita, por meio de apresentações, oficinas e encontros de artistas do gênero. Apesar de ter sido criado sob outro nome, Concertos Universitário, o projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) conquistou público cativo e celebra sua longevidade.
A todo vapor, o projeto ganha continuidade e amanhã abre sua temporada de 2016. No Teatro Glauce Rocha, localizado na UFMS, às 20h, acontecerá um recital com obras de J. S. Bach e poemas de Cecília Meirelles e Carlos Drummond de Andrade – entre outras peças selecionadas.
A entrada é gratuita, mas os ingressos deverão ser retirados na bilheteria do teatro meia hora antes do evento.
A música ficará a cargo da Camerata Madeiras Dedilhadas, sob regência da professora Ana Lúcia Gaborim, além dos solos de violão do professor Marcelo Fernandes, que também é coordenador do projeto. Já a declamação dos poemas será do professor Geraldo Vicente Martins, que leciona no curso de Letras da UFMS.
MÚSICA E POESIA
Não é a primeira vez que o Movimento Concerto une música e poesia em uma mesma noite de espetáculo.
Nos anos anteriores, a parceria aconteceu para homenagear a obra de William Shakespeare e, em outra ocasião, para enriquecer um concerto sobre o período de arte barroca.
Dessa vez, a conexão entre música e poesia é feita por conta do caráter das obras. “Os poemas da Cecília farão par com uma suíte de Bach que é muito contemplativa. É muito parecido com os poemas da Cecília, que são introspectivos, reflexivos”, define Marcelo.
“Já o Drummond tem outro caráter, que é uma provocação, e junto dele teremos músicas modernistas, com muito mais energia e um aspecto até violento”.
Para o professor Geraldo, a ideia principal sempre foi encontrar um eixo comum entre a música e os poemas. “Descobrimos que o Bach tinha bastante a ver com a poesia de Cecília, por exemplo, com temática de vida e morte e passagem do tempo”.
Marcelo e Geraldo confiam que o público vai fazer a conexão entre a obra musical e a poesia. “A conexão vai ficar clara. Quando a gente tenta explicar, parece que se trata de algo intelectual. Mas, quando você para para ouvir, nota que é algo muito fácil de perceber”, promete Marcelo.
FORMAÇÃO
Para a professora e regente Ana Lúcia, um dos principais legados do projeto é a formação constante de público para a música erudita.
“A gente percebe, por meio das redes sociais, que as pessoas se interessam pelos concertos e que esse interesse vem crescendo a cada ano”, confirma. “Muita gente acha que não gosta de música erudita, mas é porque nunca teve uma experiência com o gênero. Depois que [as pessoas] vão ao concerto, tudo muda. Nunca tivemos retorno negativo, a plateia sempre sai muito satisfeita”, avalia Ana Lúcia.
O trabalho que envolve crianças também é foco do Movimento Concerto. Em 2014 e 2015, o projeto promoveu encontros e apresentações de corais infantis. “Foi muito marcante, porque as crianças descobriram que existem outros corais e ficaram mais interessadas e motivadas. Elas também trazem muito público, os pais e professores. Elas se sentem artistas e ganham mais incentivo”, analisa.
Na UFMS, Ana desenvolve projeto de formação infantil, que considera crucial para a renovação da música erudita. O mais interessante, de acordo com a professora e regente, é como as crianças demonstram interesse pela música. “Nos concertos, elas não fazem bagunça. Elas ficam atentas, prestando atenção”.
Para o professor Geraldo, a relevância do Movimento Concerto já é provada por sua longevidade. “No Brasil, as ideias costumam não vingar, então é fundamental que o projeto já tenha sua própria história, há tantos anos”, opina.
Por ser ainda um projeto de extensão da UFMS, Geraldo acredita que ele cumpre sua função de atender à população. “Funciona como uma ponte entre universidade e sociedade. É uma devolutiva da instituição àqueles que são responsáveis diretos por seu funcionamento. E essa devolutiva acontece por meio da beleza e dos valores que a música e a literatura proporcionam”, finaliza.