“Você já foi à Bahia, nega?/Não?/Então vá/Quem vai ao ‘Bonfim’, minha nega,/Nunca mais quer voltar” (Dorival Caymmi)
No início de março último, num evento cultural no SESC “Morada dos Baís”, em que se apresentava o jovem e talentoso músico de nossa cidade, Jimmy Andrews Andrade, tive a grata satisfação de conhecer a poeta, compositora e cantora soteropolitana Vânia Vergasta, baiana superanimada, divertida e de uma alegria contagiante.
Ela esteve em nossa capital morena em férias, por cerca de vinte dias, e aqui passeou bastante, conhecendo-a muito bem. Conheceu também e se encantou com nosso santuário ecológico e turístico de Bonito, onde ficou maravilhada com o verde espetacular daquela natureza exuberante.
Começamos, naquele dia, uma amizade que espero duradoura e proveitosa para ambos, que partilhamos o dom e o prazer de manejar as letras e colocar no papel nossas ideias e pensamentos.
Confesso ter uma grande frustração: nunca fui à Bahia! Apesar de conhecer algumas outras capitais do Nordeste, ainda não fui à terra do meu saudoso sogro, nascido no sertão daquele grande estado, de onde, ainda muito jovem, emigrou para São Paulo, depois para Três Lagoas, onde integrou as tropas que, na Revolução Constitucionalista de 1932, combateram a ditadura de Getúlio Vargas, exigindo a reconstitucionalização do País.
Ali também contraiu matrimônio com uma corumbaense, vindo, finalmente, para Campo Grande, onde trabalhou arduamente e criou seus filhos, e de onde partiu para a eternidade.
A Bahia, cantada em prosa e versos por grandes nomes de nossa música e literatura, como sabemos, foi o lugar onde o Brasil começou, onde aportaram os portugueses descobridores comandados pelo almirante Pedro Álvares Cabral, nas belas praias da região onde, pouco mais tarde, surgiriam os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro.
Bahia do grande Rui Barbosa, sem dúvida um de seus mais ilustres filhos: jurista, escritor, político, etc., marcou profundamente a história do Brasil. Escrever sobre ele demanda não apenas uma singela crônica, mas um tratado. Coincidentemente, nestes dias, estou lendo/relendo duas de suas importantes obras, a “Oração aos Moços” e o volume com o “Discurso no Instituto dos Advogados Brasileiros” e o “Discurso no Colégio Anchieta”.
Bahia de Jorge Amado, que nos enlevou com seus romances, marcados por personagens fortes, representantes dessa brasilidade resultante da miscigenação de raças formadoras de um povo de fibra, porém alegre, pacífico e trabalhador. “Capitães da Areia”, “Gabriela, Cravo e Canela”... Injustiçado Jorge Amado, merecedor do Nobel que nunca recebeu.
Grande estado da Bahia, que deu ao Brasil outras ilustres personalidades, como Castro Alves, André Rebouças, Adonias Filho, Anísio Teixeira, Hermes Lima, Dias Gomes, Glauber Rocha, João Ubaldo Ribeiro, Caetano Veloso, Gilberto Gil e mais uma infinidade de escritores, pintores, cantores, compositores, juristas, etc., etc. E o que dizer do acarajé e do vatapá?
*Escritor e advogado
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