A musicalização infantil é cada vez mais procurada por pais e mães em Campo Grande. Ao contrário do que muitos acreditam, não se trata de uma aula de música em que alunos aprendem a tocar algum instrumento. Mas, sim, uma maneira de tornar a criança sensível e receptiva aos sons, promovendo o contato com o mundo musical já existente dentro dela e fazendo com que ocorra uma apreciação afetiva. Há a intenção de proporcionar uma apreciação criativa dos sons que estão a sua volta.
De acordo com a pianista, cantora lírica e professora Andressa Chinzarian, de Campo Grande, um dos principais papéis da musicalização é despertar na criança as emoções e a afetividade. Ela administra um centro musical e oferece aulas para crianças a partir do seis meses de idade, que são acompanhadas pelos pais e pelas mães.
“O que eu faço é estimular. Todo bebê, ou criança, reage ao estímulo sonoro e, por meio disso, desenvolve a questão do afeto. O acompanhamento do pai e da mãe também cria um laço”, pontua.
As aulas são pautadas por canções infantis, exercícios sonoros, como produzir estalos e barulhos com a bochecha, e muitas brincadeiras envolvendo música e socialização entre as crianças. Os pequenos também são apresentados aos instrumentos e às notas musicais.
Alguns dos benefícios, além do desenvolvimento da sensibilidade musical, é uma melhora na concentração, na coordenação motora, na sociabilização, na acuidade auditiva, no respeito a si próprio e ao grupo, na destreza do raciocínio, na disciplina pessoal, no equilíbrio emocional, entre outras qualidades que colaboram na formação do indivíduo.
O cantor, compositor e professor Elânio Rodrigues também promove musicalização para crianças na Capital, em três escolas da rede privada de ensino.
Para ele, uma lição importante aprendida nas aulas é a importância de saber ouvir. “Aprender a escutar é uma questão social. E não apenas música, mas ouvir o outro, a cidade, o próprio corpo. É importante”, define.
Elânio destaca outros pontos importantes da musicalização infantil. “Auxilia na descoberta do corpo, trabalha a audição e o ritmo. Além de toda a parte ligada ao cérebro, de cognição e desenvolvimento como um todo. A criança vai aprender a apreciar e reconhecer a música”.
RELATOS
A psicóloga Renata Diotti Ferreira, 27 anos, resolveu matricular sua filha, Luiza, um ano e três meses, na musicalização por indicação de amigos.
“Ela começou em outubro do ano passado e eu notei uma melhora no desenvolvimento emocional e afetivo”, relata a mãe.
As mudanças no comportamento da pequena Luiza são visíveis. Além de demonstrar mais seus sentimentos, a menina também passou a ser mais sociável com outras crianças e melhorou a coordenação motora e a percepção auditiva. “Agora, ela adora música, ela identifica bastante os sons”, diz Renata, orgulhosa.
A designer Camila Abreu, 32 anos, também está satisfeita com as aulas de musicalização frequentadas por ela e sua filha, Cecília, um ano e dez meses.
“Ela desenvolveu uma parte muito interesse de música. Ela ama os sons e conhece os instrumentos”, comenta. Camila também percebeu que a filha desenvolveu foco e concentração no dia a dia. “Ela é mais atenta agora”.
DEMANDA
Cantor experiente dos palcos de Campo Grande, Elânio resolveu buscar formação justamente para atender a uma demanda cada vez maior de pais e escolas interessados na musicalização. “Eu tenho vinte anos de carreira artística e fui fazer uma faculdade visando esse trabalho. É um campo enorme a ser explorado”, define. Ele diz que ficou surpreso com a procura das pessoas e das instituições de ensino.
A professora Andressa, que veio de São Paulo, também relata que a área está em crescimento.
Ela destaca o interesse crescente das escolas e as dificuldades de implantar a musicalização da maneira correta. “As escolas estão cada vez mais preocupadas com a área de música. Contudo, por vezes, acham que música deve estar presente apenas em datas especiais, como Dia das Mães ou Festa Junina. A música é o meio e o fim. As escolas precisam entender que é uma disciplina tão importante quanto matemática ou português. Existe um objetivo didático”, aconselha.
“Nós precisamos de mais sensibilidade na nossa edução”, opina Elânio. “Não só para produzir arte, mas também para aprender a vivência e apreciar a arte”, conclui.