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Museu da Imagem promove semana de filmes em Campo Grande

Museu da Imagem promove semana de filmes em Campo Grande

Redação

09/05/2016 - 17h55

Reunindo alguns cineclubes de Campo Grande, a Semana do Público contará com exibições de curtas e longas metragens. A mostra começa hoje, às 19h, no Museu da Imagem e do Som – Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, 3º andar – com exibição de filmes produzidos no Estado. Serão sete curtas, de diversos diretores. A mediação fica a cargo de Mariana Sena Figueiró. Toda a programação é gratuita.

A proposta do evento é colocar em pauta o Dia do Público, que faz parte da agenda do Conselho Nacional de Cineclubes. A data se tornou central para os movimentos cineclubistas, que defendem o direito de acesso do público a obras audiovisuais, sobretudo aquelas produzidas com investimentos públicos. 
“São exibições gratuitas com fins educacionais. Estamos atendendo o cidadão que tem direito de acesso a cultura”, pontua Carolina Sartomen, Diretora de Formação e Projetos do Conselho Nacional de Cineclubes e organizadora da semana.

DIREITOS DO PÚBLICO

O Dia do Público é comemorado pelos cineclubistas em 10 de maio. A data foi proposta pelo cineclubista Felipe Macedo, em decorrência dos eventos ocorridos em Nova York, no mesmo dia em 1849, que ficaram conhecidos como Revolta do Astor Place. Tratou-se de uma grande revolta popular, que deixou pelo menos 22 mortos e uma centena de feridos. “Foi a primeira vez que a milícia estadual foi mobilizada contra o povo. Essa revolta marca uma mudança, uma inflexão na história do espetáculo e do público”, explica o cineclubista.

Como se percebe pela data, a revolta não tem nada a ver com o cinema, técnica que seria inventada apenas algumas décadas depois. Foi no teatro que ela se iniciou. Na época, dois atores se consagraram interpretando Shakespeare. O britânico William Charles MacReady se consagrara entre as classes altas pelo respeito ao texto do dramaturgo. Já o americano Edwin Forrest ficou conhecido pelas popularizações que fazia do texto shakespeareano, tornando-o mais próximo das classes mais populares.

As animosidades entre os dois eram grandes, mas entre os públicos eram ainda maiores. “MacReady era a imagem não apenas da metrópole e da aristocracia, mas era o “queridinho” da burguesia americana ascendente, que procurava emular a classe dominante inglesa”, aponta Macedo. Segundo ele, Forrest era a “expressão de um patriotismo proletário, de um gosto das camadas médias e dos trabalhadores”.

Dias antes da revolta, Forrest organizara uma manifestação contra o britânico, convidando o público a vaiá-lo e atirar ovos podres, entre outros objetos, no palco. MacReady se revoltou e decidiu retornar para a Inglaterra, mas uma petição assinada por intelectuais da época o fez ficar. 

No dia 10 de maio, ele apresentou sua versão de “Macbeth”. Para evitar que os “arruaceiros” entrassem no Aston Place, policiais fizeram uma triagem entre os que tinham ingressos. Cerca de 10 mil pessoas compareceram e a confusão começou logo em seguida, terminando com cerca de 25 mortos e 120 feridos.

A data é evocada pelos cineclubes por ter se tornado um importante símbolo de identidade e unificação dessa comunidade, o público. “Os cineclubes tem esse papel de democratização da cultura e da arte, por isso acreditamos que haja necessidade de defender o público nesse sentido. Ele tem direito a ver as obras. Nosso trabalho é criar espaços para que ele possa ter esse acesso”, comenta Carolina.

DIREITOS AUTORAIS

Um dos grandes debates em torno dos cineclubes diz respeito aos direitos de exibição e aos direitos autorais das distribuidoras sobre os filmes. Empresas como Califórnia Filmes, Buena Vista International, Paramount Pictures e Fox Filmes do Brasil, entre outras, se mostram contrárias à exibição de seus filmes, mesmo que de maneira gratuita.

Para os cineclubistas, por se tratar de exibições com fins educativos – sem cobrança de ingressos – acredita-se que há respaldo na legislação que regulamenta as exibições públicas e abertas feitas por eles. “É um trabalho de formação cidadã. Tem muitos filmes que são financiados com dinheiro público, não faz sentido uma pessoa pagar duas vezes para ter acesso àquele produto. Isso sem falar nas milhares de pessoas que não teriam acesso de qualquer maneira”, explica a diretora de formação.

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