Quarenta e dois grupos de dança, 400 bailarinos e mais de 100 coreografias em três dias de evento. São estes os números que compõem a edição 2016 do Prêmio Onça Pintada – 3ª Mostra de Dança Clássica e Danças Populares, que terá início amanhã, às 19h, no Teatro Glauce Rocha, com programação até à noite de sábado.
A bailarina, professora e coreógrafa Neide Garrido, idealizadora do evento, afirma que esta edição ganhou maior amplitude e reconhecimento. “O número de inscritos dobrou”, revela.
A principal novidade é que agora o Prêmio Onça Pintada, que já contemplava as categorias Balé Clássico de Repertório e Balé Clássico Livre, abriu também a categoria Danças Populares e Folclóricas. Além disso, haverá uma mostra infantojuvenil e diversos convidados especiais.
Além dos grupos regionais, representantes de Mato Grosso, Paraná, Maceió, São Paulo, Distrito Federal, Uruguai e Paraguai também desembarcam na Capital. Os vencedores de cada categoria receberão premiação em dinheiro. O montante é de R$ 15 mil reais, que será dividido entre os escolhidos.
“Depois de muito trabalho, o resultado está sendo fantástico”, diz Neide Garrido. “Nós, artistas, somos trabalhadores e precisamos de espaço. O festival abre um espaço digno, com toda a estrutura que o bailarino merece”, pontua.
O evento obteve certificado da Lei Rouanet para captação de recursos e tem apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação, do Sesc e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
OPORTUNIDADE
Para as companhias e estúdios de dança de Mato Grosso do Sul, a realização do Prêmio Onça Pintada representa, além de uma oportunidade, um grande estímulo e incentivo para continuar promovendo a dança no Estado.
“É a primeira vez que vou para um festival em Campo Grande. Geralmente, participamos de festivais no Sul do País”, comenta Maria Ester Carneiro da Luz, diretora e professora na Academia de Dança Maria Ester, em Dourados.
Para ela, a dança regional não tem muita abrangência no cenário nacional justamente pela falta de iniciativas como essa. “É impossível não se motivar com essa mobilização começando, e isso só tende a aumentar. A troca de experiência, a competitividade... todos saem ganhando”, complementa.
Mayara Martins, diretora e professora do Studio Mayara Martins, de Aquidauana, também teve trabalho selecionado para a mostra competitiva. Ela relata que seu estúdio de dança já foi selecionado para vários festivais, inclusive um que aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos. Porém, por falta de recursos para a viagem e hospedagem, os bailarinos nunca conseguiram participar dos eventos.
Agora, com o Prêmio Onça Pintada, na Capital, a presença do Studio Mayara Martins já está confirmada. “É muito importante, pois é o único festival produzido no Estado, tem um bom nível de competição, além de ser uma grande vitrine para escolas de dança de MS”, avalia. “Eles também trazem grupos de fora, que são referência. O nível do júri é muito bom. Então, é uma honra participar.”
Na última edição do festival, realizada em 2014, uma das bailarinas de Aquidauana recebeu título de “bailarina revelação”.
Tanto Mayara, de Aquidauana, quanto Maria Ester, de Dourados, afirmam que a dança no interior conquistou público fiel. “Sempre que temos apresentação, o teatro fica lotado”, dizem as duas professoras. “Como era um lugar carente de dança, Aquidauana me abraçou”, avalia Mayara.
“Desde que abri meu estúdio em Dourados, há 20 anos, muita coisa evoluiu. A gente percebe que antes as pessoas eram leigas e, hoje, já sabem avaliar um espetáculo”, define Maria Ester.
Para Mayara, o festival regional vem para provar a qualidade da dança do interior. “Tenho bailarinos que foram embora e estão estudando em boas escolas de balé. É muito gratificante. Apesar de ser no interior, temos boa qualidade, temos bom ensino”, destaca.
TRABALHO
O estúdio de dança Isa Yasmin, de Campo Grande, vai fazer sua primeira participação no festival, na recém-aberta categoria Danças Populares e Folclóricas.
Com tradição no ensino e divulgação da dança árabe em Mato Grosso do Sul, a diretora do estúdio, Isa Yasmin, diz que a seleção veio como um estímulo urgente e necessário.
“Para mim, veio na hora certa. No meio cultural, a gente passa por muitos altos e baixos. A maioria dos profissionais desiste, por falta de trabalho. Então, agora estamos animados. Nosso objetivo principal é divulgar e receber a devolutiva do júri. Ganhar o prêmio seria uma ótima consequência”, resume.
Neide Garrido observa que, entre a primeira edição do prêmio, em 2012, até hoje, houve uma considerável evolução no cenário de dança de Mato Grosso do Sul. “Hoje, os trabalhos estão bem mais evoluídos artisticamente. Em Mato Grosso do Sul, abriram mais escolas desde 2012, grupos se mobilizaram, e acho que estamos caminhando sempre para evolução e continuidade desse trabalho”, conclui.
PROGRAMAÇÃO
O Prêmio Onça Pintada começa quarta-feira e segue até sábado, no Teatro Glauce Rocha (na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). As apresentações começam às 19h, com exceção de sábado, em que se iniciarão às 17h. A entrada de cada noite custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).
Nos três primeiros dias de evento, o público verá apresentações da mostra e da competição, com participação especial de grupos convidados, entre eles: a Cia. Brasileira de Danças Clássicas, de São Paulo; a Mimulus Cia. de Dança, de Minas Gerais; e o Ballet Nacional Del Soldre, do Uruguai. No sábado, último dia de evento, acontece uma mostra infantil e, em seguida, a noite de gala, com apresentação das coreografias premiadas.