Hoje é o dia de conscientização sobre uma pequena glândula – que tem muita responsabilidade sobre o que acontece no corpo humano. No Dia Internacional da Tireoide, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia realiza, em Campo Grande, ações de divulgação, com outdoors e panfletagem, em pontos do centro da cidade sobre a necessidade de acompanhar de perto a saúde glandular. Localizada na parte anterior do pescoço, ela age sobre a função de órgãos como o coração, o cérebro, o fígado e os rins.
Sua ação também interfere no crescimento e desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, no peso, na memória, na concentração, no humor e no controle emocional. Quando algo não vai bem com a tireoide, os sintomas incluem cansaço, fraqueza, ressecamento da pele, queda de cabelo, unhas frágeis e quebradiças, constipação intestinal, etc.
“Temos que estar atentos a diversos sintomas quando estamos diante de disfunções tireoidianas. Porém, em casos de hipo ou hipertiroidismo, em uma fase inicial, o paciente pode ser assintomático”, explica a médica endocrinologista Renata Antonialli, da Sbem/MS. Segundo a especialista, a glândula pode apresentar alterações que diminuem ou aumentam a produção de hormônios, conhecidas como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, além de alterações anatômicas, com a presença de nódulos ou aumento difuso da glândula, conhecido por bócio.
“O diagnóstico precoce de qualquer problema é importante não só para melhorar a qualidade de vida do indivíduo que tenha alteração da tireoide, como também para curar e salvar vidas de pessoas, como nos casos de câncer de tireoide”, ressalta Renata. Diante de qualquer alteração, é importante buscar um especialista, que poderá avaliar a situação e instituir tratamento adequado, se necessário.
ESPECIFICIDADES
O hipotireoidismo é causado por uma deficiência na produção dos hormônios tireoidianos (T4 e T3). “Ou seja, a glândula funciona menos do que o necessário”, explica Renata. O inverso acontece nos casos de hipertireoidismo. “Há um excesso na produção desses hormônios, quando a glândula funciona mais do que deveria”. Em ambos os casos, as causas mais comuns são as doenças autoimunes.
Acredita-se que essas disfunções, na maioria das vezes, são geneticamente herdadas e outros membros da família também podem ser acometidos. Outro problema é o bócio difuso, um aumento da glândula que ocorre em função de alterações hormonais ou em casos de deficiência de iodo – nesse caso, também é conhecido como bócio endêmico. “Este último é mais raro no Brasil, em razão da inclusão de iodo no sal de cozinha há mais de uma década”, comenta Renata.
A incidência de nódulos também é motivo de atenção. Contudo, apenas 5% deles costumam ser malignos. “Podemos encontrar nódulos solitários, que são chamados de bócio uninodular. Mas também é possível encontrar vários, naquilo que chamamos de bócio multinodular. Cerca de 95% dos casos são benignos”, aponta Renata.
Nos casos de nódulos malignos, que consistem na existência de câncer de tireoide, o prognóstico é excelente desde que sejam manejados precocemente e de forma adequada.
Entre os tratamentos, o de hipotireoidismo é o mais simples e baseia-se na reposição do hormônio T4 (levotiroxina sódica), padronizada internacionalmente. É feita por meio de comprimido oral, tomado em jejum. “A dose é ajustada pelo endocrinologista de acordo com o exame clínico e laboratorial do paciente”, explica Renata. Já o tratamento de hipertireoidismo é um pouco mais complexo. “Essa disfunção pode ser tratada de formas diferente, de acordo com a causa e o paciente em questão: drogas antitireoidianas para bloquear a produção excessiva dos hormônios, iodo radioativo e cirurgia”, comenta.
No caso de nódulos, a maioria não necessita de tratamento e é apenas acompanhada com exame clínico e ultrassom de tireoide. De acordo com Renata, “em casos suspeitos, é solicitada a biópsia dos nódulos, feita por punção aspirativa por agulha fina. Quando essa punção detecta a presença de câncer, indica-se a cirurgia”.
INCIDÊNCIA
Estudos têm detectado a prevalência de distúrbios da tireoide em mulheres. Isso não significa que homens estão livres ou que o problema é exclusivamente feminino, mas é fato que o número de mulheres atingidas é superior ao de homens. “Estima-se que, para cada paciente homem, há em torno de nove mulheres com alguma alteração nessa glândula”, considera a especialista.
Cerca de 10% das mulheres acima de 40 anos e 20% das que têm mais de 60 anos sofrem de problemas na tireoide, e a alteração mais comum é o hipotireoidismo, que significa a falta da produção dos hormônios tireoidianos. Contudo, as disfunções podem acometer qualquer pessoa, independentemente de gênero ou idade, inclusive os recém-nascidos. Esses casos são chamados de hipotireoidismo congênito. O Teste do Pezinho é um grande aliado no combate ao problema e deve ser feito, preferencialmente, entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê. A condição atinge um a cada quatro mil recém-nascidos.