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COMPORTAMENTO

Palestrantes falam sobre a arte de inspirar pela palavra

Palestrantes falam sobre a arte de inspirar pela palavra

Redação

09/06/2016 - 14h28

Bernardinho, o ex-técnico da seleção brasileira de voleibol; João Carlos Martins, maestro e um dos maiores intérpretes de Bach no século 20; Rogério Ceni, ex-goleiro do São Paulo. Esses três nomes, de áreas tão diversas, são alguns dos palestrantes que vêm fazendo sucesso no Brasil. A área passa por um verdadeiro aquecimento, com novos nomes ganhando status de celebridade por suas falas sobre temas ligados ao autoconhecimento, à motivação e à superação de desafios.

Em Campo Grande, o psicólogo e master coach Ronilço Guerreiro tem sido convidado constantemente para falar  aos mais diversos públicos sobre temas motivacionais. “Além da formação em Psicologia e especialização em coaching, eu tenho uma história que é repleta de momentos de superação”, aponta. Ele é o fundador da Gibiteca, projeto de acesso à leitura e à informação por meio de histórias em quadrinhos, que ganhou destaque no País inteiro e lhe garantiu participação em programas de TV como o “Esquenta”, apresentado por Regina Casé. 

No entanto, o palestrante afirma que o termo “motivacional” é ultrapassado. “Na hora de falar com um grupo, o mais importante é despertar aquilo que há no interior de cada um, de fazê-lo repensar a vida, o potencial e, assim, provocar a mudança”, explica Ronilço. Segundo ele, a formação em Psicologia foi essencial, mas seu interesse nunca foi a clínica. “Por isso, optei pelo trabalho com grupos, acredito que, em ambientes profissionais e empresariais, esse tipo de abordagem é mais eficaz”, pontua. Ronilço acredita que as pessoas vivem em um momento de grande carência, em que a busca por referências é central, por isso, bons palestrantes acabam sendo muito requisitados.

VIDA DE PALESTRANTE

Irineu Toledo é jornalista, radialista e promotor de eventos em São Paulo. Pela proximidade com a área de palestras, ele acabou se tornando um palestrante. “Em minha trajetória profissional, eu sempre me preocupei em aliar informação e impacto à vida de outras pessoas. Quando anunciava notícias em rádio, procurava demonstrar como aquele fato afetava a vida do ouvinte”, explica. Quando convites para palestrar surgiram, ele afirmou que se sentiu preparado por ter experiências que endossavam suas crenças.

“Hoje, existe um mercado muito grande de palestrantes, coachs, mentory. Isso inclui muitos cursos de formação, mas eu não acredito muito nisso. É preciso ser formado pela vida para poder inspirar outras pessoas”, comenta. Irineu é empresário e, atualmente, dirige a empresa Keynote Speakers, na qual realiza eventos e conta com uma grande lista de palestrantes. Além dos citados no início da matéria, ele ainda agência nomes como o economista Ricardo Amorim, o empresário Carlos Hilsdorf e a comunicóloga Andréa Duque.

Segundo ele, hoje, as pessoas têm acesso fácil e rápido à informação. “Se alguém quiser falar sobre física quântica, ele pode pesquisar e montar uma palestra. Mas sem a vivência em um grande laboratório, como cientista ou mesmo professor, ele não consegue ir além da informação. Um bom motivador consegue aliar a experiência à reflexão”, ressalta. Por isso, Irineu tem ressalvas quanto à popularização da atividade e afirma que é importante ter isso em mente na hora de contratar alguém.

CRIATIVIDADE

Fugir do comum é importante para captar a atenção de dezenas, centenas ou milhares de pessoas. Pensando nisso, o administrador de empresas Hélio Azevedo, o publicitário Edu Berton e o músico Leo Mancini se juntaram e criaram o Tie Break. “Tie”, em inglês, se refere ao nó dado nas gravatas, e “break” diz respeito à quebra. É isso o que se oferece, um momento descontraído em que os palestrantes tratam de temas como protagonismo, vergonha de dizer “eu não sei”, relação entre responsabilidade e autonomia. “Os temas são variados, mas dizem respeito às situações ligadas ao cotidiano corporativo. São palestras que buscam motivar a transformação da cultura das empresas”, afirma.

Em média, o trabalho leva duas horas, nas quais o trio faz um pocket show, apresenta a palestra e encerra o encontro com uma dinâmica de grupo. “Trabalhamos com grupos menores, que privilegiam esse momento. Mas o essencial é captar a atenção e mostrar ao público que aquele momento será divertido e que merece sua disponibilidade”, argumenta o idealizador da proposta.

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