Tem gente que se acostuma a conviver com desconfortos diários como dores de estômago ou incômodos intestinais. Sinais clínicos como vômitos, fadiga, sangue nas fezes ou no vômito e anemia também podem estar na lista daqueles que são ignorados. No entanto, todos esses sintomas merecem atenção, sobretudo quando se apresentam por períodos prolongados: eles podem indicar a presença de tumores cancerígenos.
Não faltam receitas de remédios caseiros para fazer com que esses problemas passem, assim como também não são poucos os que fazem uso de automedicação para resolvê-los. Com isso, a ida ao médico, que deveria ser a primeira opção, acaba como uma das últimas. “De fato, a maior parte desses sintomas são corriqueiros. No entanto, é preciso ter atenção quando eles se tornam persistentes”, afirma Túlio Pfiffer, oncologista do Hospital Sírio Libanês de São Paulo.
Em Campo Grande, a incidência de câncer no estômago, no cólon e reto é alta. As estimativas para 2016, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, superam o número de 100 casos por 100 mil habitantes em cada um desses tipos de problema. “Quando o paciente apresenta algum desses sintomas e tem um diagnóstico rápido, é possível trabalhar pela cura”, afirma o especialista.
Contudo, como muitas vezes os sintomas são negligenciados, o risco de que a doença se desenvolva pode aumentar. “O tumor gastrointestinal é um tipo raro de câncer, atinge cerca de 1% da população. No entanto, é justamente por isso que é preciso manter a atenção”, explica Túlio. Dados internacionais indicam que 40% a 70% dos casos se originam no estômago, 20% a 40% ocorrem no intestino delgado, 5% a 15% surgem no cólon e reto e menos de 5% ocorrem no esôfago. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que esses tumores correspondem a aproximadamente 1% das neoplasias primárias do trato digestivo, e a estimativa é de que a incidência seja de 7 a 20 casos por milhão de habitantes.
TRATAMENTO
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nos últimos dias, o uso de uma nova droga para o tratamento de câncer gastrointestinal chamada regorafenibe. Durante a fase de estudos, essa terapia foi responsável pela redução de 73% do risco de progressão da doença. “As drogas são utilizadas em casos mais graves, quando o câncer já apresenta metástase e outras complicações. É muito importante contar com novos medicamentos”, pontua Tulio.
A regorafenibe é indicada para pacientes adultos com tumor estromal gastrointestinal ou câncer gastrointestinal inoperável ou metastático que evoluiu ou é intolerante a outros tratamentos. A terapia é responsável por uma taxa significativa de controle da doença, reduzindo os casos de morte. A nova droga age como um inibidor de multi-quinase oral que coibe várias quinases (enzimas catalizadoras da fosforilação) dentro dos mecanismos envolvidos no crescimento e progressão do tumor – a angiogênese, a oncogênese e o microambiente tumoral.
“O tratamento para esses tumores depende da fase da doença em que se realiza o diagnóstico. Em fases iniciais o tratamento ideal é resseção cirúrgica com intuito curativo”, explica Túlio. No entanto, em fases tardias ou quando há recorrência, o que se vê é uma doença crônica. “Nessa fase existem poucas opções de tratamento sistêmico para combater a doença. Dessa forma a aprovação do regorafenibe disponibiliza um avanço importante no controle desse tipo de câncer para pacientes previamente tratados, no momento sem opção de tratamento sistêmico”, pontua o especialista