Tem início amanhã a I Semana Estadual Antidrogas de Mato Grosso do Sul, que, entre outras ações, traz palestra com o juiz Odilon de Oliveira, com o tema “Os Impactos das Drogas nos Aspectos Físico, Cognitivo e Familiar”, e Concurso de Cartazes e Roda de Conversação, com crianças e adolescentes na Cidade dos Meninos.
Segundo Sérgio Harfouche, do Conselho Estadual Antidrogas, a semana acontece em concordância com a Semana Nacional Antidrogas, instituída por decreto de maio de 1999. No dia 26 de junho, comemora-se o Dia Internacional de Combate às Drogas. Em Campo Grande, além das ações realizadas pelo conselho e pela Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública, o combate às drogas e à dependência química é realizado em outras instâncias.
Um desses exemplos é o projeto de extensão realizado na UFMS e coordenado pelo professor Antônio Pancrácio: “Efeitos das Drogas Psicotrópicas sobre o Ser Humano”. Apesar do título, não espere leituras de tratados sobre alucinógenos como “Portas da Percepção”, de Aldous Huxley, ou “Paraísos Artificiais”, de Charles Baudelaire, em que o poeta francês trata do uso de substâncias muito populares na Paris “fin de siècle”: o haxixe, o ópio e o vinho. A proposta é outra.
“Recebemos alunos de escolas públicas no laboratório de anatomia, para demonstrar os efeitos nocivos que as drogas têm sobre órgãos vitais como coração, cérebro, fígado, etc. Mais do que recuperar quem se tornou dependente, nosso trabalho é de prevenção. Queremos evitar que a droga seja uma opção”, comenta Pancrácio, que é professor de Anatomia Humana.
Os alunos também têm a oportunidade de conhecer outros laboratórios, como os de Jornalismo, de Química, etc. “É uma maneira de inspirá-los a perceber que eles podem ter acesso a tudo isso”, explica o coordenador. A preocupação é justificada. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em 2012, cerca de 9,9% dos adolescentes habitantes de capitais já tiveram contato com drogas ilícitas. Os dados já demonstravam um crescimento em relação à pesquisa anterior, de 2009.
“A resposta dos alunos, dos professores e da escola é positiva. O trabalho que temos feito tem conscientizado em relação aos cuidados necessários com o corpo e a mente”, argumenta o professor. Com as ações de conscientização, o projeto busca evitar que adolescentes sofram danos cognitivos, físicos e sociais decorrentes do contato com drogas lícitas ou ilícitas.
RECUPERAÇÃO
Campo Grande conta com diversas instituições voltadas para a recuperação de dependentes químicos. Entre elas, o Instituto Manassés tem como foco a ressocialização de usuários, principalmente aqueles que passaram a viver nas ruas e enfrentar dificuldades que tornam o vício uma barreira intransponível. A Capital conta com uma casa da unidade que funciona há cinco anos e atende cerca de 16 pessoas.
“Nosso foco não é fazer com que a pessoa deixe de usar drogas, mas que ela crie um propósito para sua vida”, explica Eliandro Simonetti, diretor-responsável pelo estabelecimento na cidade. Para chegar ao objetivo, existem regras que configuram o estatuto da instituição. Uma delas prevê que, após ser resgatado das ruas, o indivíduo seja transferido para uma casa em outra cidade. “Lá ele deve cumprir obrigações e fazer seu trabalho, para garantir que a casa continue funcionando”, pontua.
Atualmente, existem 28 casas em todo o País. A instituição foi criada há 19 anos. No Instituto Manassés, o trabalho se divide em duas etapas. Primeiro, cada um passa por um período de desintoxicação. Em uma segunda fase, os moradores da casa têm a oportunidade de se ressocializar. “Eles podem sair, ir para a pizzaria. É o momento de voltar à sociedade”, comenta Eliandro.
Este é um dos espaços que trabalham na recuperação de dependentes químicos na Capital, mas existem outros, como a Fazenda da Esperança, o Ministério Peniel, além de clínicas particulares.