A fotografia contemporânea é tema da mesa-redonda que acontece hoje, às 18h30min, no Sesc Morada dos Baís. Com mediação do curador e colecionador Carlos Bertão, o debate contará com a participação da professora e crítica de artes Maria Adélia Menegazzo, o professor e artista plástico Rafael Maldonado e o fotógrafo carioca Bruno Veiga, que expõe no Museu de Arte Contemporânea a mostra “Subúrbio”.
Perspectivas, particularidades estéticas, mercado de arte e criação artística são alguns dos pontos que serão discutidos pelos profissionais. Uma das questões centrais que se anunciam sobre a fotografia contemporânea é a explosão de imagens propiciada pelo barateamento de tecnologias e pelas redes sociais. Mas, segundo Maldonado, isso não significa que todos possam produzir obras de qualidade.
Para ele, a vasta disseminação de imagens facilitada pelos espaços virtuais não acaba com o propósito da fotografia artística, que corresponde a um compromisso estético e a um domínio da linguagem. “Fotografar é fácil, cada pessoa que tem uma câmera pode fazê-lo, entretanto, o difícil é estabelecer significados diferenciados para aquilo que se vê”, acredita.
“É preciso ter um olhar elaborado para realizar uma fotografia de qualidade e, nesse sentido, ter conhecimento específico é fundamental”, confirma. Artistas contemporâneos, inclusive, têm utilizado a rede para divulgar seus trabalhos. Entre os nomes de destaque internacional estão David Talley, Brigette Bloom e Victoria Siemer. Redes sociais como o Facebook e o Instagram se tornam ferramenta para a divulgação e a comercialização de fotografias, assim como contatos profissionais.
O momento é oportuno para a debate sobre a fotografia contemporânea. Em Campo Grande, novos nomes surgem e demonstram a capacidade criativa que a fotografia tem. São fotógrafos que atuam em áreas diversas. Em comum, o uso da internet como ferramenta de divulgação.
Confira alguns jovens fotógrafos que se destacam em meio ao cenário da fotografia na Capital e deixam claro que, apesar da popularização, é preciso muito mais do que uma câmera para garantir uma boa imagem.

EVERSON TAVARES
Everson Tavares é formado em jornalismo, mas o interesse pela fotografia vem de muito antes. Na infância, o pai lhe presenteou com uma HQ do Homem-Aranha. Para quem não sabe, Peter Parker ganha a vida como fotojornalista. O envolvimento de fato veio na adolescência, graças a um dos professores, que era fotógrafo.
Atualmente, ele trabalha com várias áreas: retratos, ensaios e decoração. Segundo Everson, a criatividade é um elemento importante para um profissional que trabalha com a imagem. “Quando comecei, eu não ligava para as convenções e isso chamou atenção de muita gente, que queria que eu reproduzisse esse trabalho mais espontâneo”, argumenta.
Para o fotógrafo, relacionar fotografia e arte pode ser prejudicial. “Eu gosto de pensar a fotografia como poesia, assim é possível tirá-la desse patamar em que ela se vê amarrada a conceitos de escola e estilística”, argumenta.
O retrato escolhido para ilustrar a matéria foi feito por Everson no último dia de viagem por Buenos Aires. “Estávamos andando. De repente, vi um bando de gente corrento para o meio da Avenida Corrientes. Um cara loiro carregava uma poltrona”, conta. Este foi o motivo que o fez perseguir o homem até conseguir a imagem. Depois, o fotógrafo descobriu se tratar de um nome de destaque do teatro argentino.

FELIPE LIMA
Enquanto estudava Arquitetura, Fellipe Lima usava a fotografia para registrar obras arquitetônicas de profissionais que lhe interessavam durante as viagens que fazia. Depois de formado, passou três meses morando em Portugal. Em terras lusitanas, decidiu aprender mais sobre a arte fotográfica e se dedicou a um curso de especialização.
É desse período o interesse por detalhes e outros minimalismos que o ajudaram a entender como fotografar espaços arquitetônicos e decorativos. “Resolvi investir em equipamento profissional e retornei a Campo Grande porque percebi que havia espaço para um trabalho nessa área”, afirma. Assim, ele se tornou sócio da Arcaffo, um escritório que envolve arquitetura e fotografia.
De acordo com Fellipe, existem dois tipos de fotografia de arquitetura. “Podemos falar de uma fotografia mais artística e outra mais informativa. A informativa é aquela mais voltada para o mercado, os arquitetos procuram esse tipo de serviço para seus portfólios, etc. Ainda assim, é um trabalho que exige criatividade”, explica.
Atualmente, Fellipe também desenvolve o Projeto Campo Grande do Alto. Por meio de uma página no Facebook, ele divulga imagens de áreas campo-grandenses, em um trabalho que mistura informação, criatividade e arte. A foto escolhida é um registro aéreo da Praça das Araras, em Campo Grande.

CAMILA VILAR
Até a faculdade de jornalismo, Camila Vilar nunca teve muito interesse – ou experiências – em fotografia. “No curso, a gente tem algumas disciplinas dedicadas à técnica. Foi a partir disso que comecei a me interessar e a praticar”, comenta a estudante.
Aprendendo a técnica, surgiu a necessidade de explorar o lado mais criativo. Foi assim que Camila passou a se dedicar a um estilo focado aos detalhes, o minimalismo. “Eu tento deixar todo o meu cotidiano minimalista. Uma caneta, uma janela, qualquer objeto ou situação. Assim, eu me foco nos detalhes e tento descobrir quais são as possibilidades daquilo”, argumenta. A série ganhou uma exposição na UFMS, sob o título “Mínimos Detalhes”.
As redes sociais, sobretudo o Instagram, foram essenciais para que Camila apostasse na fotografia. “É um espaço motivador. O feedback das pessoas e de outros fotógrafos é importante, para garantir que você está fazendo um bom trabalho. Também existem grupos como o Instameet. Sem isso, não sei se estaria fotografando”, afirma.
Além das imagens minimalistas, Camila também trabalha na cobertura de eventos culturais e faz retratos. Ela é estagiária da Agência Fotográfica do curso de Jornalismo da UFMS. “É uma área que me atrai e com a qual eu pretendo trabalhar profissionalmente”, argumenta.

VITOR MARECO
Entre o surrealismo e a poesia, as fotografias de Vitor Mareco se tornaram bem conhecidas em eventos culturais de Campo Grande. Sempre que possível, o jovem fotógrafo expõe seu material e arranca elogios do público. Sua última exposição aconteceu no Fran’s Café, com o título: “O tempo, o amor e o café”.
Depois de captadas, as imagens passam por edições digitais e ganham ares surreais. Assim, a realidade ganha tons oníricos. “Por volta dos 15 anos, eu comecei a trabalhar com fotografia analógica e com negativos. Depois de ver alguns trabalhos interessantes na internet, eu decidi aprender a fazer manipulação digital nas imagens”, afirma. Hoje, o jovem já tem algum domínio de programas como o Photoshop e está se dedicando a um curso técnico na área da fotografia.
“Comecei colocando minhas fotos na internet; a partir disso, as pessoas começaram a me chamar para exposições”, explica. São nelas que Vitor tenta vender seu trabalho. “Eu faço um tipo de fotografia que não se vende enquanto serviço. Eu penso no que eu faço de uma maneira mais artística”, argumenta.
Como já afirmou, a internet foi imprescindível para a divulgação de seu trabalho. “Assim, eu também consegui contato com fotógrafos de outros estados. Uma página chamada F/30, no Facebook, também divulgou uma foto minha”, conta.