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Orquestra 'Vai Quem Vem' leva mix sonoso às festas populares

Orquestra 'Vai Quem Vem' leva mix sonoso às festas populares

Redação

23/06/2016 - 14h45

Quando se escuta a palavra “orquestra”, a maioria das pessoas provavelmente visualiza um concerto de música clássica, realizado dentro de um teatro, com participação de dezenas de instrumentistas e do maestro. Contudo, esta é apenas uma das possibilidades oferecidas. Instrumentos como trombone, saxofone, tuba, trompete, surdo e tambor de alfarroba também podem ganhar as ruas, promovendo dança e enriquecendo festejos populares.

Em Campo Grande, um grupo de músicos profissionais resolveu levar os instrumentos de metais e de percussão a vários locais. A orquestra de rua, batizada de Vai Quem Vem, fez sucesso no Carnaval de 2016: atraiu cerca de oito mil pessoas para a Praça dos Imigrantes e foi convidada para tocar no popular Cordão Valu.

Agora, a formação pretende fazer ainda mais barulho – de qualidade – na festa junina São de João de Maracá, que acontecerá neste sábado, às 19h, no bar Vai ou Racha – Rua 14 de Julho, 4113, Bairro São Francisco.

De acordo com o músico e produtor Vinil Moraes, um dos fundadores do projeto, a ideia surgiu entre conversas de amigos, ano passado. “Nós sentíamos necessidade de dar mais atenção ao Carnaval, de reunir as pessoas para fazer um som na rua”, explica. “Para a gente, essa iniciativa representa a valorização e manifestação da cultura popular. É aproximar as pessoas da música, de graça, na rua.”

O repertório da orquestra é escolhido com cuidado, a fim de resgatar ritmos e nomes representativos da música popular brasileira. Destacam-se versões ao vivo das obras de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Lamartine Babo, Maria Bethânia, Chico Science e outros cancioneiros populares.

“É um trabalho de pesquisa, estamos em constante movimento, porque a gente não se contenta só em tocar a música popular ou regional do jeito que ela é. Tem que haver um processo de transformação vocal e rítmica”, destaca Luís Carlos Santana, diretor musical da Vai Quem Vem.

Além da interpretação de clássicos, como “Aquarela”, “Tieta” e “Jangada”, o grupo também apresenta trabalho autoral, como as canções “Marcha-Frevo da Valu”, música oficial do Cordão Valu, composta por Vinil Moraes, e “Porrada é Sempre no Mesmo Lugar”, de Vinil Moraes e Vitor Maia.

RECEPÇÃO 

Os membros da orquestra de rua, que hoje conta com 14 integrantes, já se conheciam de compromissos de trabalho em comum. Alguns tocam juntos na Banda Sinfônica de Campo Grande, por exemplo. 

“São músicos que compartilham muitas vivências, alguns com mais de uma década  de carreira”, cita Vinil, tendo ele mesmo 15 anos de trajetória na música e um CD gravado, lançado em 2008 e intitulado “É Isso que Eles Querem”.

Nas ruas, os integrantes da Vai Quem Vem contam que a recepção é positiva. “Nós íamos fazer dois shows no Carnaval e terminamos fazendo nove”, comenta Vitor Maia, outro músico que participou da criação da orquestra.

Luís Carlos enfatiza que a Praça dos Imigrantes não era local tradicional de Carnaval, mas atraiu milhares de campo-grandenses por conta da orquestra. “A recepção está sendo maravilhosa”, resume.

“Os mais velhos ficam muito felizes, porque a gente toca muita música que os fazem relembrar do passado”, descreve Vinil. “E as crianças adoram marchinhas. Atingimos os pequenos e os vovôs”, brinca.

Para Vitor, a proposta de tocar na rua, em diferentes pontos da cidade, cria uma interação muito mais expressiva com o público. “A resposta é mais instantânea.”

“No teatro, existe intimidade, mas as pessoas permanecem sentadas e quietas. Já nas ruas o público questiona, encosta, fala com a gente. Eles intervêm no meio da música. É muito diferente”, analisa Vinil.

EXPANSÃO

Para manter suas atividades, a orquestra Vai Quem Vem comercializa chapéus personalizados, que podem ser adquiridos diretamente com o grupo nos eventos ou por meio da página no Facebook (www.facebook.com/orquestravaiquemvem).

Além disso, o grupo pretende realizar oficinas na Capital, de percussão e sopro, além de trazer músicos de outras regiões do País.

Com o sucesso do grupo, Vinil Moraes revela que tem recebido muitos pedidos de músicos interessados em entrar para o projeto. “Tudo depende se a pessoa conseguirá participar dos ensaios”, avisa.

“Nossa intenção é continuar levando a música para as ruas e para as pessoas, de graça”, finaliza o músico.

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