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Febre nos EUA, Pokémon Go preocupa pais e entidades de proteção à infância

Febre nos EUA, Pokémon Go preocupa pais e entidades de proteção à infância

Redação

31/07/2016 - 11h45

Assaltos, furtos, atropelamentos, tiroteio e até caso de tentativa de estupro são alguns dos crimes reportados nos Estados Unidos contra jogadores do Pokémon Go – jogo virtual da empresa japonesa Nintendo para smartphones que deve ser lançado hoje no Brasil. Desde que foi disponibilizado no mercado norte-americano, o jogo virou febre para jovens e adolescentes, e passou a ser motivo de preocupação para pais e autoridades.

A polícia de vários estados do país tem alertado a população sobre os cuidados que se deve ter ao utilizar o aplicativo. No Pokémon Go, os jogadores usam os celulares para “procurar” os personagens pokémons, os mesmos da série animada dos anos de 1990.

O objetivo do jogo é capturar todos os animais. O aplicativo mistura o mundo virtual com o real. Isso porque o jogador tem perfil dentro do jogo e caminha no mundo real como se estivesse dentro do aplicativo.

Nos Estados Unidos, é comum ver nos parques das grandes cidades e shopping centers grupos de jovens andando no meio da rua enquanto olham para o celular, jogando com conhecidos e também com desconhecidos.

Em shopping no norte de Atlanta, Geórgia, foram encontrados vários adolescentes jogando em grupo. Peter Thompson, 16 anos, aproveitou o dia para jogar com os amigos, enquanto os pais faziam compras. “Eu adoro jogar com meus amigos e é mesmo viciante, porque a gente sai andando e nem se dá conta. Parece que a gente entra no jogo”, contou.

Aproveitando a febre, estabelecimentos comerciais oferecem ofertas para jogadores. O cartaz em uma lanchonete convida os usuários para jogar no local, receber dicas de treinamento e ganhar 15% desconto no menu do dia.

SEGURANÇA

Quanto mais se joga, mais exposto ao perigo. Isso porque os dados do usuário são compartilhados. Enquanto está de olho no celular, o jogador caminha pelas ruas de verdade e as informações são compartilhadas por meio de geolocalizadores (Google Maps).

Qualquer jogador pode localizar outra pessoa que esteja jogando nas proximidades. Por causa disso, foram registrados casos em que desconhecidos atraíram jogadores com pistas falsas de pokémons para que pudessem roubá-los.

O Departamento de Polícia de Irving, no Texas, criou um vídeo para tentar conscientizar os jogadores sobre o perigo de dirigir enquanto usa o aplicativo, assim como andar na rua desatento, sob o risco de atropelamentos e assaltos, além de outras situações de risco.

Além de alertas policiais, entidades que defendem direitos das crianças e adolescentes trabalham para orientar os pais e educadores nos países em que o jogo já está disponível: Austrália, Japão, Nova Zelândia e Reino Unido, além dos Estados Unidos.

A NSCC – organização não governamental (ONG) do Reino Unido que trabalha com prevenção de crimes, de violência e abuso contra a infância – lançou na internet um guia (disponível em inglês) com dicas para que pais possam ajudar os filhos e protegê-los quando usarem o aplicativo.

No guia, a ONG recomenda que os usuários do Pokémon Go joguem somente em locais conhecidos e com amigos em grupo, nunca em lugares desconhecidos e tarde da noite, por exemplo.

No caso de filhos pequenos, a orientação é que os pais permaneçam ao lado deles. A ONG também recomenda que o aplicativo seja usado em parques e não em ruas movimentadas, por exemplo, para evitar exposição aos riscos de acidentes de trânsito.

LUCRO DA NINTENDO 

Desde o lançamento do jogo, as ações da Nintendo aumentaram mais de 25%. O valor de mercado da companhia subiu de US$ 7 milhões para US$ 500 milhões.

Nos Estados Unidos, alguns escritórios de advocacia já começam a estudar como podem demandar a empresa em casos de problemas causados aos jogadores.

Um ponto polêmico por exemplo é o fato de o aplicativo ter acesso a todos os dados de localização dos jogadores. A Nintendo já se pronunciou e disse que vai estudar medidas de segurança. Entretanto, o aplicativo usa as informações do usuário disponíveis em outras bases de dados como o Google.

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