“Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar o presente que nos magoa. É não ver o futuro que nos convida...” (Pablo Neruda)
O prédio de oito andares na Avenida Fernando Corrêa da Costa, entre a Avenida Calógeras e a Rua14 de Julho, tem em sua estrutura mais do que cimento e ferro. Traduz emoção em seu porte, de linhas arquitetônicas modernas. Isto porque remete à lembrança do nascer do Estado de Mato Grosso do Sul, pois abrigou a primeira sede do governo do Estado; representa momentos de mágoa dos sul-mato-grossenses, que sentiram o abandono a que o local foi relegado durante dois anos, mas, felizmente, o poder público aceitou o convite do futuro e promoveu sua revitalização. Nasceu como Edifício das Repartições Públicas (Erpe), entregue à população no dia 26 de agosto de 1976 (aniversário de Campo Grande, que ainda não era Capital). Trinta anos depois, em 11 de outubro de 2006, foi inaugurado como Memorial da Cidadania e Cultura Apolônio Carvalho. Os seus 220 mil visitantes, desses quase 10 anos, mostram o acerto do historiador grego Heródoto: “Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”.
Quando da inauguração do Erpe, estiveram presentes como convidados do então governador, José Garcia Neto, o idealizador do projeto e que deu início à obra (em 21 de outubro de1973), o ex-governador José Fragelli e o ex-governador Fernando Corrêa da Costa, mais tarde homenageado com a denominação da avenida onde se situa o edifício. No ano seguinte, com a divisão do Estado, Campo Grande tornou-se a Capital de Mato Grosso do Sul.
Na data, Garcia Neto assinou convênios para construção de 600 casas no Jardim Leblon, de um armazém no Distrito Industrial, com capacidade de 12 mil toneladas (200 mil sacas), e de atendimento de servidores na área previdenciária.
As instalações deixaram de abrigar as repartições públicas, inclusive o gabinete do chefe do Executivo, com a construção do Parque dos Poderes, no governo Pedro Pedrossian. O prédio, posteriormente, até 2001, foi endereço ao Fórum de Campo Grande.
Depois de um período de abandono, o governo José Orcírio Miranda dos Santos iniciou, em 2003, a reforma do antigo Erpe, para dar lugar ao Memorial da Cidadania e Cultura. A obra custou R$ 7 milhões, sendo R$ 3 milhões de recursos provenientes do tesouro estadual, outros R$ 3 milhões do Banco do Brasil e R$ 1 milhão fruto de acordo entre o Estado e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A inauguração ocorreu no dia 11 de outubro de 2006 (data de mais um aniversário da criação do Estado de MS).
COMPLEXO CULTURAL PARA TODAS IDADES
“O memorial Apolônio de Carvalho é sede de um complexo cultural que engloba a Secretaria de Cultura, Empreendedorismo e Inovação e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul”, explica a presidente da fundação, Andréa Freire. Há, ainda, o terraço e espaço livre para apresentações.
Segundo ela, todo esse complexo está disponibilizado à população “com uma programação acessível e variada para todas idades”. A partir de setembro, está prevista a volta do Espaço da Poesia.
O funcionamento do memorial é de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 17h30min. Diariamente, visita o local uma média de 60 pessoas, quando não há eventos.
Qualquer pessoa interessada em fazer doações de obras para o acervo da fundação podem procurar os gerentes das unidades de cada setor.