Inspirada em discussões que vêm pautando a educação nas últimas décadas, a Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei) e a Secretaria de Educação (Sed) de Mato Grosso do Sul se uniram para realizar o 1º Seminário Estadual Cultura e Educação. A proposta é englobar as práticas em um diálogo contínuo entre as duas pastas, com o objetivo de estabelecer novos caminhos para as políticas públicas. O encontro, com foco nos arte-educadores de todo o Estado, começa na sexta-feira, às 13h.
A programação contará com a realização de mesas-redondas e oficinas, que pretendem demonstrar aos arte-educadores como trabalhar temas ligados à arte e à cultura em sala de aula. “Estamos atendendo a uma demanda antiga de transversalidade de dois campos que considero indissociáveis”, aponta o secretário da pasta cultural, Renato Roscoe. “Ao trabalhar no ensino a nossa cultura, temos a intenção de preservar e valorizar a nossa identidade, levando os estudantes a compreender o lugar em que se encontram.”
As mesas contam com profissionais de áreas diversas. A primeira, que acontece no sábado, das 14h às 18h, tem como tema: “Cultura, Arte e Questões Sociais nas Poéticas Artísticas”. O encontro será mediado pela professora Mirian Celeste Martins, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, que apresentará a conferência de abertura na sexta-feira, “Territórios da Arte na Escola”. A mesa terá a participação do maestro e professor Eduardo Martinelli, da professora e artista plástica Priscila Pessoa, do ator e diretor Fernando Cruz, do dançarino e coreógrafo Marcos Mattos e da professora e folclorista Marlei Sigrist.
“Eu vou falar sobre a participação da cultura popular na inter-relação com a arte e a estética. Como os alunos levam seu universo para a escola e como a escola lhes apresenta universos diferentes”, adianta Marlei, uma das pesquisadoras do folclore e da cultura popular de Mato Grosso do Sul. “Todas as escolas trabalham temas como o folclore dos grupos étnicos, mas o objetivo é demonstrar como isso pode ser incorporado em outros momentos além de agosto”, brinca, referindo-se ao Mês Internacional do Folclore.
Para ela, é importante criar interfaces entre a arte erudita e a arte popular. “São referências que podem interferir nos processos de criação do aluno. A proposta é demonstrar que isso pode ser relacionado às disciplinas de língua portuguesa e história, mas também biologia e ciências”, comenta. Em sua fala, a professora também afirma que será ressaltada a questão estética da arte popular.
No domingo, o evento continua com a mesa “Cultura e Políticas Educacionais no Ensino de Arte”, que vai trazer a professora de dança Gabriela Salvador, a professora de artes plásticas Vera Penzo, o professor de música Evandro Higa, a professora de artes cênicas Flávia Janiaski Vale e a representante do Iphan/DF Sônia Regina Rampim.
CONTATO DIRETO
Com a proposta de aproximar os professores e os produtores de cultura de Mato Grosso do Sul, o seminário contará com a realização de oficinas. São 13 opções, que versam sobre temas como poesia, grafite, cinema, música, cultura popular e cultura digital, entre outros.
Segundo a secretária de Estado de Educação, Maria Cecilia Amendola da Motta, o seminário vai além de uma formação continuada para professores de arte. “Ele proporcionará a vivência de experiências culturais e possibilitará o debate sobre a importante relação entre cultura e educação”, argumenta. Ela afirma que o processo vai trazer reflexos positivos para os estudantes, que serão mais estimulados em seu processos criativos.
A diretora de formação e projetos do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, Carolina Lima, é uma das ministrantes e apresentará a oficina: “Como Montar e Manter um Cineclube na Comunidade Escolar?”. Segundo Carol, a ideia surgiu com a Lei 13.006, que acrescenta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação a exibição de filmes de produção nacional como componente curricular complementar à proposta pedagógica da escola.
“As nossas crianças têm mais familiaridade com os filmes da Disney do que com o cinema nacional. Os cineclubes nas escolas oferecem uma oportunidade para divulgar filmes brasileiros”, explica. Ela afirma que o desconhecimento da lei acaba por criar um vazio em relação ao uso do cinema como ferramenta didática. A oficina ainda conta com quatro vagas. Os interessados podem se inscrever pelo site: http://www.seminarioculturaeeducacao.art.br/index.php.