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Febre da caça aos pokémons favorece contato com a cidade

Febre da caça aos pokémons favorece contato com a cidade

Redação

08/08/2016 - 16h22

Eles chegaram e, desde então, muita coisa mudou. Espaços públicos, como a Praça Esportiva Belmar Fidalgo e o Parque das Nações Indígenas,  passaram a receber diariamente jovens em busca dos monstros que só existem na tela dos smartphones e tablets. Pokémon Go, a febre mundial, chegou com tudo em Campo Grande e a reportagem do Correio do Estado saiu às ruas para conferir a recepção.

“A gente vinha jogar bola aqui e sempre estava vazio. Agora, olha só, tem gente em todos os cantos”, aponta o estudante Eduardo Enrique, 15 anos, que saiu de casa para encontrar os amigos no Belmar Fidalgo, onde dezenas de pessoas se encontraram para disputar as duas PokéStops do local. “É um dos melhores lugares para pegar pokémons”, afirma. 

Para quem ainda não sabe, Pokémon Go é um jogo baseado em realidade aumentada, que distribui monstros pelo mundo real por meio do uso de smartphones e seus GPS. O jogo é baseado na franquia japonesa criada pela Nintendo, uma das gigantes dos videogames, a qual se popularizou no Brasil no início dos anos 2000 com a exibição do desenho homônimo. A trama é simples: um jovem caçador viaja pelo mundo tentando capturar os mais exóticos pokémons – a palavra vem de “pocket monsters”, ou seja, “monstros de bolso”.

“Pela primeira vez, eu sai rodando a cidade. Acabei conhecendo melhor vários lugares. O mais inusitado que eu visitei foi a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, afirma o estudante Rodrigo de Carvalho. No sábado, ele e o amigo Arthur Ruiz foram em busca de pokémons no Parque das Nações Indígenas. “Tem muita gente aqui e no Belmar Fidalgo, são os lugares mais disputados da cidade”, argumenta.

No centro de Campo Grande, é possível encontrar diversas PokéStops, pontos nos quais os treinadores podem conseguir itens como pokébolas – essenciais para a captura de monstros. Há também ginásios, locais de disputa onde um jogador pode desafiar o outro e colocar os monstros para lutar. Geralmente, são monumentos, pontos turísticos, grafites ou locais que se destacam na paisagem urbana.  O prédio do Correio do Estado, na Avenida Calógeras,  inclusive, é uma PokéStop.

Mateus Pereira, Henrique Cabral, Yuri Seiti e Vitor Moraes são quatro amigos que decidiram explorar ao máximo o potencial de Pokémon. Estudantes, eles saíram do colégio no sábado e passaram o dia percorrendo a cidade. Começaram pela Feira Central. “Tem bastante coisa por lá, na região da Esplanada Ferroviária”, aponta Henrique Cabral, 17 anos. Ele afirma que o aplicativo já contabilizou mais de 11 quilômetros de caminhadas pela cidade. À tarde, eles já estavam no Parque das Nações Indígenas, outro local promissor para a captura de monstros.

Algumas paradas são mais disputadas que outras. Algumas PokéStops são especiais por receberem o que os jogadores chamam de “lure” – no mapa, elas se destacam por terem uma animação colorida ao redor. “Ao redor delas, se concentram mais pokémons. É mais fácil encontrá-los”, explica Yuri. Por isso, a concentração de jogadores em alguns locais é maior do que em outros.

Por isso, o Parque das Nações Indígenas e a Praça Esportiva Belmar Fidalgo se tornaram os lugares onde há maior número de jogadores. “Eu já caminhei uns nove quilômetros em busca dos pokémons e, sem dúvida, aqui é o melhor lugar”, argumenta o estudante universitário Gabriel Tarini, 20 anos. 

Para Ana Luiza Pereira, que também é estudante universitária, o jogo oferece duas oportunidades interessantes: aproveitar mais a cidade e ter mais interação com as pessoas. “Todo mundo acaba conversando, é uma ótima chance de conhecer outras pessoas. No fim, a diversão acaba se multiplicando”, argumenta. 

CUIDADOS

Os debates sobre Pokémon Go se acaloraram desde que o jogo foi lançado mundialmente, em julho. Os críticos afirmam se tratar de mais um aplicativo espião a serviço do imperialismo norte-americano. Do outro lado, os defensores acreditam que o jogo oferece novas maneiras de fazer com as pessoas se relacionem com a cidade e os espaços públicos.

Independentemente das críticas ou elogios, o que se sabe é que muita gente aderiu à febre. No entanto, é preciso ter alguns cuidados na hora de jogar – algo que é lembrado logo que se abre o aplicativo. Mensagens como “não jogue enquanto dirige” ou “tome cuidado com regiões perigosas” são apresentadas na tela. 

Na quinta-feira, três adolescentes foram roubados na Avenida Eduardo Elias Zahran, em frente ao Banco do Brasil, às 20h30min. Evitar regiões desertas, sobretudo, à noite, é um bom jeito de não correr riscos desnecessários.

Outras histórias, com tom de lenda urbana, também surgiram nas redes sociais nos últimos dias. Uma delas é a de que jovens ficaram presos no Parque das Nações Indígenas e no Belmar Fidalgo por estarem jogando depois do horário de fechamento dos locais. Verdade ou não, é importante ficar de olho no horário de funcionamento de lugares públicos para evitar dores de cabeça.

Um pouco de bom senso também é importante. Aglomerações em hospitais, por exemplo, podem prejudicar o sossego dos pacientes. Não significa que não se deva jogar, mas cautela e respeito são necessários. 

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