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Dama do Underground leva a própria morte para o centro do palco

Dama do Underground leva a própria morte para o centro do palco

Redação

09/08/2016 - 16h07

A atriz paulistana Maria Alice Vergueiro encontrou uma forma inusitada de celebrar a força e a vitalidade do teatro: encenando a própria morte. É isso que ela mostra na peça “Why the Horse?”, que será apresentada amanhã e quinta-feira, às 20h, no Teatro Prosa (Sesc Horto – Rua Anhanduí, 200), pelo seu grupo, o Pândega.

Quando diz que encena a própria morte, não está apenas criando uma imagem para ser entendida. No palco, leva ao extremo os rituais relacionados aos funerais.

“Eu permaneço depois do espetáculo, por cerca de meia hora, no centro do palco, como se  estivesse no próprio velório, quando o público pode circular por lá e participar desse momento. A reação de quem participa é muito variada, em cada lugar acaba sendo diferente”, explica Maria Alice.

A radicalidade da proposta não é novidade em sua carreira, que iniciou nos primeiros anos da década de 1960, quando foi dirigida por Augusto Boal. 

Nos anos seguintes, participou de grupos e projetos que marcaram definitivamente o teatro brasileiro pela originalidade e criatividade. Atuou no antológico “O Rei da Vela”, adaptação cênica da obra de Oswald de Andrade, feita pelo Teatro Oficina. 

Na década de 1970, foi uma das fundadoras de Teatro do Ornitorrinco, junto de Cacá Rosset. Ainda participou de projetos com os diretores Gerald Thomas, Felipe Hirsche e o chileno Alejandro Jodorowsky, sem contar participações em filmes e novelas. Por causa das suas atuações, recebeu os apelidos de Dama do Underground e Velha Dama Indigna.

SILÊNCIO

Mais recentemente, motivada pela  veiculação do vídeo independente “Tapa na Pantera”, que já  atingiu mais de 6 milhões de visualizações na internet, o  público mais jovem entrou em contato com sua atuação.

“É muito curioso isso, quando estou encenando meu velório, muitos jovens comentam o vídeo. Outro aspecto importante: a quantidade de jovem que acompanha o espetáculo. Isso é algo que merece ser citado. Mostra a força que o teatro está ganhando com o pessoal mais novo”, destaca.

Se “Why the Horse?” tem uma estrutura pouco convencional, muito disso tem a ver com a sua própria origem,como relatou, em março deste ano, para o jornal Correio Braziliense. “De repente, eu escutei uma voz do além me dizendo isso. Que eu deveria trazer meu velório para o palco. E eu trouxe. Quando termino de fazer o espetáculo, se é que posso chamar de espetáculo, fica aquele silêncio. As pessoas ficam sem saber como reagir. Eu fico ali deitadinha. A morte continua sendo um mistério, embora as pessoas pareçam mais familiarizadas com o tema.” 

A passagem do espetáculo por Campo Grande acontece por meio do projeto “Palco Giratório” do Sesc. 

“Está sendo uma experiência fantástica. Viajamos por locais que nunca tivemos oportunidade de passar e entrando em contato com públicos diferentes. Isso, para o artista, é muito importante”, avalia. 

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