Durante oito meses, os integrantes da Cia. Pão Doce de Teatro, de Mossoró (Rio Grande do Norte) privilegiaram o bate-papo com aqueles que passaram dos 60 anos e que eram conhecidos pelas narrativas que misturavam humor, sobrenatural, feitos heroicos, entre outros. “Fomos para o interior ouvir tios, avós, que contavam histórias que sempre despertaram a curiosidade de quem ouvia”, explica a produtora e atriz da companhia, Ligia Kiss da Silva.
Quem acha que a rotina de conversas entre o pessoal da companhia e os contadores de causos serviu apenas como passatempo está enganado. Foi a partir desses encontros que surgiu “A Casatória C’A Defunta”, que será apresentado hoje, às 19h, no Teatro Prosa – Sesc Horto (Rua Anhanduí, 200).
A montagem teve como base a pesquisa efetuada por várias regiões do Rio Grande do Norte e também a leitura de textos de escritores nordestinos que utilizam a cultura popular como matéria-prima. Na lista, destacam-se escritores potiguares como Câmara Cascudo e Antônio Francisco e o paraibano Ariano Suassuna.
“Tudo isso foi referência, mas a dramaturgia é uma construção de Romero Oliveira, um integrante do grupo. O espetáculo resulta em uma homenagem à cultura popular do Nordeste, especialmente do Rio Grande Norte”, destaca Lígia.
MORTOS
Em cena, quatro atores – além de Lígia, a formação conta com Mônica Danuta, Paulo Lima, Romero Oliveira e Raul Davyson – mostram a saga de Maria Flor e seu noivo, Afrânio. Próxima da data do casamento, surge algo que atrapalha o plano do casal. Trata-se da mulher de branco, que, segundo a tradição popular, já não tem mais vida e seu destino é levar os vivos para o reino dos mortos. A próxima vítima dela é o medroso Afrânio.
Com esse espetáculo, a companhia, que existe há 14 anos, prossegue a sua jornada em torno dos musicais no teatro. Em outros trabalhos, destacaram a poesia de Cora Coralina e a música de Chico César, as canções de Oswaldo Montenegro e as antigas marchinhas de carnavais. Mas, pela primeira vez, em “A Casatória C’A Defunta”, a companhia criou montagem totalmente inédita, tanto no texto, como nas canções.
“Uma característica que se manteve nesse trabalho foi a execução, no palco, das músicas com instrumentos como violão, percussão, entre outros”, aponta Lígia.
Esta é a primeira vez também que a companhia percorre teatros da Região Sudeste e Centro-Oeste. Anteriormente, somente fizeram excursão pelo Nordeste. “Tem sido fantástico. O Brasil apresenta riquezas em cada lugar. Além da apresentação do espetáculo, também promovemos oficinas”, enfatiza Lígia.
Inicialmente, a apresentação, que faz parte da programação do projeto Palco Giratório, aconteceria no Sesc Morada dos Baís, mas com a possibilidade de chuva, segundo a meteorologia, a produção achou melhor apresentá-la em espaço fechado.
O ingresso é 1 kg de alimento não perecível e pode ser retirado antecipadamente no Sesc Morada dos Baís – Avenida Noroeste, 5.140. Informações pelo telefone 3311-4300.