Um pesquisador quer prever o seu destino - mas, ao invés de ler sua mão, ele pretende usar estatística. Richard Berk, criminalista e professor da Universidade da Pensilvânia, trabalha criando modelos matemáticos que antecipam o comportamento das pessoas desde os anos 60. O seu próximo desafio é usar Inteligência Artifical para "adivinhar" que cidadãos se tornaram menores infratores... Assim que eles chegarem à maternidade.
O cientista já criou uma série de "bolas de cristal" para o sistema criminal americano: alguns de seus sistemas usam informações demográficas para classificar o risco de reincidência de ex-presidiários a partir dos dados de criminosos anteriores.
Agora, ele quer observar fatores de risco de criminalidade muitos anos antes dele ser cometido - um salto exponencial até comparado ao filme de ficção científica Minority Report, onde videntes trabalhavam para o Estado revelando informações sobre criminosos horas antes dos incidentes.
O lugar por onde o pesquisador pretende começar é a Noruega. Lá, o governo mantem uma quantidade gigantesca de dados sobre cada cidadão, em arquivos individuais - ou seja, é o "alimento perfeito" para que um computador encontre padrões e tendências.
A ideia de Berk e de colegas seus da Universidade de Olso é treinar a Inteligência Artificial com dados sobre bebês e suas circunstâncias de nascimento e levar o computador a buscar correlações com o destino dessas mesmas pessoas na adolescência e na fase adulta.
Quanto maior a qualidade dos dados entregues ao computador, melhores as predições que ele pode fazer. Isso significa que a Inteligência Artifical precisa ser alimentada com informação contextual e critérios para saber o que procurar. A princípio, o histórico dos pais e o ambiente no qual a criança nasce forneceriam a base de pesquisa.
No momento que o computador é capaz de entender o que há de comum entre bebês que se tornaram menores infratores, é possível usar o mesmo modelo estatístico para inferir a chance de novas crianças nascidas nas mesmas condições de se tornarem futuras criminosas antes dos 18 anos.