Com três artistas de São Paulo e um de Cuiabá, o Museu de Arte Contemporânea (Marco) inicia amanhã a terceira Temporada de Exposições. A abertura será às 19h30min e o Marco fica na Rua Antônio Maria Coelho, 6.000. As obras ocupam as salas do museu até 30 de outubro.
Para essa temporada, foram selecionados “Moedas”, com peças criadas por Alexandre Frangioni; “Espaço reservado para possíveis retornos (ou como rasurar o ar)”, com instalações de Élcio Miazaki; “Dentro da Mata”, que reúne pinturas em óleo sobre tela de Miguel Penha, e “Variáveis de Bancos de Jardim”, que apresenta gravuras de Silvia Ruiz.
“MOEDAS”
Com notas e moedas que saíram de circulação, Alexandre Frangioni busca recuperar fragmentos da memória brasileira. “Eu acredito que haja uma falta de manutenção da memória, principalmente em relação ao período de hiperinflação no Brasil”, comenta o artista plástico, que vem de uma carreira em que trabalhou como engenheiro químico e passou a se dedicar à arte como autodidata.
Entre suas obras, as moedas nacionais como cruzeiro, cruzado novo, cruzeiro real, entre outras, surgem como suporte para a construção de um trabalho conceitual que ressignifica o dinheiro antigo e sem validade. “É uma forma de representar um período que se tornou distante, mas que sempre retorna. Hoje, vivemos novamente um período em que a inflação nos assusta”, comenta. Em sua produção, um questionamento é central: “Qual é o valor intrínseco das coisas?”. A resposta cabe ao espectador.
“ESPAÇO RESERVADO PARA POSSÍVEIS RETORNOS (OU COMO RASURAR O AR)”
Uma instalação que utiliza o mesmo suporte, mas que sempre se renova. No trabalho de Élcio Miazaki, uma fita de cetim da cor preta liga pontos no espaço que antes foram ocupados por obras de arte. “Eu crio um circuito com a fita. Cada sala é única, porque a instalação segue as demarcações de uma exposição que já esteve ali”, explica.
A fita – que, à sua maneira, opera no plano da memória – representa visualmente ligações, proximidades e linhas de tensão. “Eu trabalho com uma metáfora da tarefa dos curadores, que estabelecem relações, alinhavando as obras para uma exposição”, afirma. Os significados que surgem em uma exposição são construídos pela relação entre as obras e isso é explorado no trabalho de Élcio.
“Variáveis de Bancos de Jardim”
É por meio de um dos mais tradicionais suportes das artes visuais que Silvia Ruiz constrói sua obra. No trabalho artesanal das xilogravuras, ela cria uma poética por meio de técnicas tradicionais ao representar objetos do cotidiano: os bancos de jardim.
Graduada em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Silvia tem uma produção que se dedica a observar e resgatar aquilo que se tornou desimportante. Para a artista, os bancos de ruas e praças representam hoje um espaço de perigo, ligado aos que moram nas ruas e à vadiagem. No entanto, as gravuras dedicam-se a resgatar o papel que eles têm como espaços de convivência.
“DENTRO DA MATA”
De Cuiabá, o artista plástico Miguel Penha apresenta trabalhos realizados em óleo sobre tela. A exposição traz pinturas que têm como tema a vegetação do Cerrado e, vez ou outra, um pouco da vida animal do bioma.
O artista é descendente de indígenas e afirma que o interesse pelo Cerrado vem da forte ligação que tem com a vegetação, os frutos e a fauna da região. “Até os nove anos de idade, estive próximo da mata, daí, fui dado para adoção”, conta.
Os pais adotivos trabalhavam com o comércio de antiguidades e obras de arte, assim, Miguel teve contato com o trabalho de artistas como Volpi, Di Cavalcante, entre outros. “Tudo isso me motivou a fazer arte”, pontua.