Em uma de suas maiores edições, o Fundo de Investimentos Culturais (FIC), da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei), aprovou 78 projetos a receber R$ 5 milhões.
São 16 projetos na área de música, um em pesquisa, dois em artesanato, dois em museu, quatro em folclore, 12 em literatura, cinco em teatro, três em artes visuais , três em dança, sete na área de audiovisual, três em patrimônio, quatro em formação, um em arquivo, um em biblioteca, e 14 dos municípios.
Segundo Ricardo Maia, superintendente do FIC/MS, houve atraso em razão do crescimento da demanda. “No último edital, tivemos 200 inscritos. O aumento nos pegou de surpresa”, argumenta. Segundo ele, a ideia é que os repasses sejam feitos até outubro. “Os proponentes estão adequando os cronogramas, entendemos isso”, pontua.
Entre os projetos, os que conseguiram maior verba são o “6º Festival Internacional do Chamamé de Rio Brilhante”, do Centro Cultural do Chamamé de Rio Brilhante, no valor de R$ 137,7 mil, e a “5a Mostra de Teatro Infantil de Mato Grosso do Sul”, de Ramona Rodrigues, com R$ 131,3 mil.
Teatral Grupo de Risco aprova “Mitos em Risco”
A companhia, que recentemente comemorou 28 anos de existência, foi aprovada para receber R$ 85 mil. O projeto prevê várias atividades ligadas ao apoio e à manutenção do grupo. “O dinheiro servirá à manutenção do grupo durante o ano. Vamos poder realizar apresentações com mais frequência”, explica Fernanda Kunzler, uma das integrantes do coletivo.
“Mito do Mato”, “A Princesa Engasgada” e “Guardiões” serão apresentados no espaço do grupo e em espaços públicos de Campo Grande. Além disso, está prevista a realização de uma oficina interna, com foco na formação dos integrantes. A oficina será realizada pela dramaturga Miriam Virginia, autora de alguns dos espetáculos da companhia.
Apesar de ter foco na manutenção dos grupos, Fernanda acredita que o edital precise ser discutido. “O valor não pode ser utilizado para custear os gastos da sede, como luz, água, entre outros pagamentos necessários ao funcionamento de um espaço teatral”, comenta.
Seminário e intervenções nas escolas
O projeto da artista Ana Ruas, “Artes Visuais em MS – Campo Aberto – Seminário, Intervenções e Ações Educativas”, propõe uma série de ações que aproximam a cidade da produção e do pensamento artístico.
Com orçamento liberado pelo FIC de R$ 99.481,50, estão previstas cinco ações principais: um seminário com artistas de renome nacional; exposição de suas obras no Marco; intervenções pictóricas e oficina com adolescentes na periferia e no centro de Campo Grande; uma ação educativa com jovens de 10 a 14 anos, com foco na criação de instalações; e uma intervenção artística com Brigida Campbell.
“É a oportunidade de criar um espaço para discussão sobre arte, que atinge não somente os artistas”, explica a proponente do projeto. Segundo ela, de acordo com o cronograma original, as ações se iniciariam em agosto e o seminário ocorreria em setembro. “Quando o dinheiro for liberado, poderei reorganizar essas datas”, pontua.
Projeto espalha capoeira por toda a cidade
Com o intuito de atender 240 alunos em quatro regiões de Campo Grande, o “Projeto Zumbi” realizará aulas de capoeira abertas à população. Cada região atenderá um perfil. O proponente do projeto, Juarez Morais Corrêa, é mestre capoeirista e criou a proposta com o intuito de atender o público da periferia, assim como trabalhar a arte da capoeira como patrimônio cultural.
“É um projeto de resgate. É difícil encontrar locais que ensinam a capoeira em espaços públicos e esse é o nosso objetivo”, aponta. Cada bairro, atenderá até 60 pessoas, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos. Haverá oficinas nos bairros Noroeste, Tiradentes, Vila Pioneira e no Ana Maria do Couto ou Jardim Aeroporto. “Vamos nos ater às particularidades de cada região”, pontua.
O projeto aprovou R$ 54,6 mil. Para sua realização, Juarez convidou mestres experientes. “Todos eles têm mais de 20 anos de trajetória ensinando capoeira”, afirma. O cronograma do projeto ainda está sendo revisado.
Pesquisa pretende recuperar a memória de Ignez Corrêa da Costa
Com o objetivo de mapear obras e documentos que tratem da trajetória pessoal e artística de uma importante artista plástica, o projeto “A Vida e a Obra de Ignez Corrêa da Costa” visa à realização de buscas em acervos públicos e particulares. O intuito é o de marcar a posição e importância da artista, falecida em 1985, em Campo Grande, na historiografia da arte regional e nacional. Para tanto, será necessário investigar não apenas o local em que se encontram as obras da artista nos dias atuais, mas também encontrar dados concretos que corroborem com as informações contidas em sua bibliografia.
A equipe de pesquisa é formada pelos curadores professores doutores Maria Adélia Menegazzo e Rafael Maldonado e pelas pesquisadoras Renata Damus e Isabella Banducci Amizo. O trabalho contará com R$ 49.492,02 para sua realização.
Como consequência da pesquisa, ainda, serão produzidos um catálogo impresso e uma exposição, a qual deverá acontecer no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul em janeiro de 2017, mas ainda não há data definida para a realização.