Ao se pensar em música de concerto, geralmente, alguns compositores e suas criações aparecem com mais destaque. Entre os brasileiros, Villa-Lobos e Guerra-Peixe. Mas, como em outros campos artísticos, a produção continua incessante. Uma plataforma digital vem reunindo, há 13 anos, obras de compositores nacionais e disponibilizando-as gratuitamente ao público. O projeto “Sesc Partituras” também promove concertos para apresentação de obras de seu acervo.
Ontem, em Corumbá, o ConcerTrio apresentou obras de Guerra-Peixe, Francisco Mignone e Glauco Velásquez ao público. Em datas anteriores, outros grupos musicais também interpretaram composições importantes, assim como estrearam obras de compositores sul-mato-grossenses. Este é o caso da Camerata Madeiras Dedilhadas, que em novembro passado subiu ao palco pelo projeto e estreou “Trilha no 1”, de Rodrigo Faleiros, maestro-assistente da Orquestra Sinfônica de Campo Grande.
“Estreamos duas obras. A composição do Faleiros e a de um professor argentino, Marcos Pablo Dalmacio”, explica Marcelo Fernandes, maestro da camerata, um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Ele explica que a participação se deu após a seleção por um edital. “Poderíamos escolher composições que faziam parte do acervo do projeto. Além de composições barrocas, optamos por fazer essas estreias”, aponta.
Marcelo, que define a partitura como um projeto, aponta que uma estreia significa encontrar um meio de executar uma peça, de acordo com as características do grupo que a interpretará. De acordo Rodrigo, o compositor de uma das inéditas, foi preciso repensar alguns pontos da obra. “Eu a tinha pensado para ser executada por um quarteto de cordas. Quando o Marcelo propôs a ideia, tive que trabalhar em cima dessa proposta de uma camerata”, aponta.
Se, por um lado, ouve-se falar pouco sobre composições inéditas, por outro, a produção é incessante. Pensando nisso, Rodrigo afirma que essa semana deverá ser lançado um projeto para estreia de obras originais, interpretadas por músicos da Orquestra Sinfônica. “Deve acontecer na quinta-feira, junto do projeto de concertos populares no Centro Municipal de Música”, explica.
Qualquer compositor de música de concerto pode submeter suas peças ao processo de seleção para integrar o acervo do projeto. Anualmente, o Sesc também abre edital para os grupos musicais que têm interesse em executar partituras do acervo. Um dos selecionados no ano passado foi o Duo Cancionâncias, composto pela soprano Manuelai Camargo e pelo violonista Cyro Delvizio.
Eles se apresentaram na Capital em julho, com peças para voz e violão. Cyro, que é de Campo Grande, também é autor de partituras e de arranjos que estão no acervo do Sesc. “Eu acho formidável a maneira como funciona o projeto. Criaram um grande banco de dados que permite contato com artistas consagrados, em domínio público, assim como artistas contemporâneos que tenham interesse em divulgar sua obra”, comenta.
O banco de dados do “Sesc Partituras” está aberto para o uso de todos os interessados – não apenas aqueles selecionados para se apresentar no projeto. Como destaca Marcelo, esse é apenas um dos bancos disponíveis na internet. “O interessante é esse resgate que eles fazem. Também não é algo muito comum fazer estreias de peças para o grande público, mas o Sesc tem permitido isso”, pontua.
Projeto conta com mais de duas mil partituras
Criada há 13 anos, a plataforma digital do “Sesc Partituras” (http://www.sesc.com.br/SescPartituras) foi desenvolvida com o objetivo de proporcionar acesso dos músicos às partituras em domínio público de compositores brasileiros. Além disso, o projeto também continua a receber obras contemporâneas – inéditas ou não – de compositores que queiram disponibilizá-las gratuitamente.
“É um espaço em constante construção. Abrimos uma chamada e os interessados se inscrevem, enviando-nos as peças. Elas são avaliadas e, se aprovadas, passam a fazer parte do acervo”, explica Francielle Gadotti, assessora de Cultura do Sesc. Atualmente, o acervo conta com cerca de 2,2 mil partituras.
Há seis anos, o projeto passou a realizar concertos para divulgação das partituras. Em Mato Grosso do Sul, são abertas duas chamadas, para apresentações durante cada semestre. Um artista é selecionado para se apresentar em Campo Grande e outro em Corumbá. Eles devem montar o repertório com base no acervo do Sesc.