Correio B

CORREIO B

Memorial da Ferrovia conta história da Noroeste do Brasil em Campo Grande

Memorial da Ferrovia conta história da Noroeste do Brasil em Campo Grande

Redação

20/09/2016 - 15h48

Uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social de diversos municípios sul-mato-grossenses é, hoje, motivo de lembrança. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB)começou a ser construída no início do século passado e ligava Bauru, no interior de São Paulo, a Corumbá. Atualmente, a atividade na ferrovia foi reduzida a uma viagem diária, que leva minério de ferro até o porto na região noroeste do Estado.

Na sede da Associação dos Ferroviários, Aposentados, Pensionistas, Demitidos e Idosos (Afapedi/MS), itens de valor histórico ajudam a contar essa história. Lá foi criado o Memorial da Ferrovia, com peças doadas pelos ferroviários, além de itens adquiridos com o objetivo de incentivar a construção da memória em torno da linha ferroviária. “Muita gente viu o auge e a decadência da ferrovia. É uma história que não pode ser esquecida”, comenta Valdemir Vieira, presidente da associação.

Atualmente, o acervo conta com 1,5 mil peças. Desde uniformes e itens de segurança que eram usados pelos profissionais, até bitolas, placas, ferramentas e outros materiais foram reunidos para ajudar a contar a história da Noroeste do Brasil. O espaço, segundo Valdemir, é visitado principalmente por escolas. “Isso aqui é um patrimônio dos trabalhadores. É uma lembrança que fica de uma história que cruzou a vida de muitos”, comenta.

HISTÓRIA CONTURBADA

Neste ano, comemoram-se os 110 anos da inauguração do primeiro trecho da Noroeste do Brasil, que ligava Bauru ao atual município de Guarantã. Em Mato Grosso, a ferrovia começaria a ser construída dois anos depois. Em 1914, os trilhos entre Bauru e Corumbá foram conectados. Assim, Campo Grande também foi incluída nos trajeto, que chegou a contar com 1.622 quilômetros de extensão.  

Segundo Vieira, a ferrovia foi responsável por grande parte do desenvolvimento da cidade e da região. “Em Campo Grande, na época em que chegou, havia cerca de 1,8 mil habitantes. Uma década depois, o número era de 50 mil”, comenta. Durante décadas, o transporte ferroviário foi o principal meio de transporte de cargas – e passageiros – pelo País. A Noroeste do Brasil chegou a ser responsável por 70% desse movimento.

“É um período marcado por glórias; mas, quando as coisas mudaram, muita gente sofreu com isso. Milhares de trabalhadores foram demitidos, alguns deles perderam muitas oportunidades”, comenta. O declínio se deu a partir da privatização da malha ferroviária brasileira, que contava com 22 mil quilômetros. Segundo o presidente da Afapedi, a extensão foi dividida em 10 malhas menores, vendidas a empresas que tivessem interesse.

“Em 1996, ela foi vendida para uma empresa americana. Enquanto o faturamento era de R$ 47 milhões anuais, ela foi vendida por R$ 62 milhões”, conta. O valor ainda foi parcelado em 112 parcelas, que começariam a ser pagas dois anos depois da venda. Isso daria à empresa o direito de explorar a malha arrendada por 30 anos. “A partir disso, a decadência foi grande”, pontua. Cerca de 15 dias depois de assumir a gestão da malha ferroviária, a empresa demitiu 450 funcionários. 

“Todo o operacional, o pessoal da segurança e até da manutenção. As pessoas que trabalhavam nas paradas foram mandadas embora e o trecho ficou livre”, aponta. Em 1998, a empresa estadunidense abandonou os negócios. “A estrada estava detonada. Ninguém nunca pagou um centavo nesse processo de privatização”, critica.

De acordo com Vieira, a associação tem trabalhado para garantir que ex-funcionários consigam acesso aos seus direitos. “Muitos não tiveram como se aposentar. Há documentos aos quais não conseguimos acesso”, aponta. 

Nos tempos áureos, a ferrovia chegou a contar com seis mil funcionários. “Existe uma forte ligação histórica com nosso estado. De cada cinco pessoas, uma tinha alguma ligação com a estrada de ferro, um parente que trabalhava nela”, comenta.

Diálogo

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (5)

05/11/2026 00h02

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje Foto: Arquivo

Continue Lendo...

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).