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Maestro quer montar orquestra com alunos de escolas municipais

Maestro quer montar orquestra com alunos de escolas municipais

Redação

06/10/2016 - 14h57

Montar uma orquestra com crianças e adolescentes em cada uma das 94 escolas municipais de Campo Grande e elevar o ensino de música ao patamar de um projeto de Estado são as propostas dos maestros da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande, Eduardo Martinelli e Jardel Tartari. Os planos são possíveis a longo prazo, mas um primeiro passo foi dado – eles formularam um projeto inicial para executar a ideia e já começaram a desenvolvê-lo em uma escola da Rede Municipal de Ensino.

A escola de tempo integral Iracema Maria Vicente, que fica no Bairro Rita Vieira, é a primeira instituição a passar pela experiência. As aulas, voltadas para alunos do 3º e 4º anos do nível Fundamental, iniciaram há duas semanas com o maestro Jardel e dois professores auxiliares. 

Por enquanto, os alunos estão conhecendo as notas musicais e, aos poucos, aprenderão a tocar o violino, viola e violoncelo. Depois, devem entrar em contato com os instrumentos de percussão, como o contrabaixo, e também de sopro, como a flauta doce. Espera-se que, em breve, formem uma orquestra e consigam realizar apresentações na própria escola e em eventos externos.

São também os maestros que coordenam o projeto, chamado de Orquestras da Reme. Contam com o apoio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed) para dar andamento à experiência na primeira escola. Caso ele seja adotado por outras instituições, Martinelli e Tartari propõem a formação de uma orquestra coletiva, com os instrumentistas iniciantes e com os profissionais da Orquestra Sinfônica da Capital, com a finalidade de realizar apresentações no aniversário da cidade, em recepção de autoridades e em outras festas comemorativas. 

TRANSFORMAÇÃO

Os maestros possuem experiência de 10 anos em orquestras formadas por projetos sociais de organizações da sociedade civil e de fundações de Campo Grande. Até hoje fazem parte do primeiro deles desenvolvido na Capital, a Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues.

Jardel Tartari defende a multiplicação de orquestras nas escolas públicas pelo potencial que o ensino de música tem de atrair crianças e jovens para as artes em geral, desde cedo. “O objetivo maior é esse, utilizar a música como fio condutor de uma transformação social, a partir da sensibilização pelas artes. Nesse processo, tem-se ainda a formação cultural do aluno e a própria formação dele como ser humano”.

Ainda segundo o maestro e professor, quando os estudantes estabelecem contato com a música na escola, acabam envolvendo a família e a comunidade enquanto aprendem, o que contribui para a sua difusão cultural também nesses dois ambientes.

Hoje são aprendizes, mas futuramente receberão formação que pode até dar a eles condições para ingressar em um curso de música – no Estado, há um na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – e tornar-se profissionais da área. Segundo Tartari, isso é muito bom, já que esse mercado se expande cada vez mais no País.

Caio Fortunato, 20 anos, é um exemplo disso. Ele foi aluno do projeto Orquestra Jovem dos 9 aos 18 anos de idade e atualmente é professor de música em uma escola particular e na escola de tempo integral que recebeu o projeto-piloto dos maestros. Para o músico, sua função agora é “fazer com que essas crianças aprendam algo totalmente diferente do que veem na TV, melhorem as notas na escola e melhorem a qualidade de vida que têm”.  

DISSEMINAÇÃO

O projeto Orquestras na Reme segue um planejamento pedagógico, desenvolvido pelos coordenadores. São propostos cinco anos de ensino em cada escola. 

De acordo com o maestro Eduardo Martinelli, introduzir a música clássica e erudita no dia a dia das crianças e adolescentes abre caminho para a disseminação cultural dessas  formas de fazer música, sem falar na possibilidade de colocá-los em contato com os músicos da orquestra municipal.

A diversidade de gêneros é grande, mas as pessoas em geral ainda conhecem pouco sobre música, na opinião de Jardel. “O Brasil é um país continental, e temos diversas culturas regionalizadas que estão sendo sufocadas pela indústria cultural, que acaba pasteurizando e vendendo somente um produto. E no fim das contas as pessoas acabam nem tendo como escolher”.

Ao menos na escola que passa pela primeira experiência do projeto Orquestras da Reme, os estudantes se mostram entusiasmados com as aulas e até dizem aos professores que vão pedir para os pais comprarem instrumentos para treinarem em casa. 

Tamyris Silva, 10 anos, ainda decidirá se quer um violão ou uma flauta, mas já sabe qual a primeira música que quer aprender a tocar em casa, “A flor e o beija-flor”, hit sertanejo da cantora Marília Mendonça. Ela já percebeu que os repertórios das aulas na escola são variados, e que aprenderá a gostar de muita coisa que ainda não conhece. Inicialmente, as lições preparadas para ela e os colegas incluem canções curtas e fáceis de serem tocadas; em seguida, serão as folclóricas e, adiante, os professores explorarão composições de artistas nacionais e regionais, como Luiz Gonzaga, Paulo Simões e Almir Sater.

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