"Se falassem para mim: escolha um artista para dar de presente para o povo brasileiro. O nome desta pessoa seria Geraldo Roca”. A frase foi dita pelo músico Renato Teixeira em 1998, durante entrevista cedida à agência Carta Z Notícias. Quase dez meses após a morte do compositor de “Trem do Pantanal” ao lado de Paulo Simões, Mato Grosso do Sul recebe, de presente, um show em homenagem a Roca no aniversário de 39 anos da divisão do Estado.
A apresentação, batizada de “Uma Para Estrada – Tributo a Geraldo Roca”, será amanhã, no palco da Concha Acústica Helena Meirelles, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, com início previsto para as 18h e entrada gratuita.
Com curadoria e direção musical de Paulo Simões e Jerry Espíndola, e produção de Karla Viégas, o show já foi apresentado na edição deste ano do Festival de Inverno de Bonito. As composições de Roca, morto em dezembro do ano passado, serão interpretadas por amigos, parceiros e uma geração de músicos influenciados por sua obra. Depoimentos e trechos de entrevistas com o compositor serão exibidos em projeções entre uma canção e outra.
Parceiro de Geraldo Roca na vida e na música, Paulo Simões subirá ao palco para rememorar o compositor. “Nunca pagaremos a dívida que a arte e o Estado têm com ele. Roca é um nome fundamental para as pessoas de 20 e poucos anos, até menos, que não queiram se balizar por valores de mercado na música”, diz o amigo.
Nascido no Rio de Janeiro e radicado em Mato Grosso do Sul, Roca começou a compor cedo, ainda na adolescência. “Trem do Pantanal”, por exemplo, data do ano de 1975. Apesar da carreira extensa, o artista fazia poucos shows, fator que Paulo Simões atribui a seu perfeccionismo.
“Tinha medo de ele mesmo não se satisfazer e, com isso, não satisfazer também o público. Não é que não gostava de se apresentar, mas era extremamente perfeccionista. Ele se frustrava e foi criando certa resistência”, conta.
O tributo contará com mudanças em relação aos artistas que participaram em Bonito. Por incompatibilidade de agenda, saem Geraldo Espíndola e Márcio de Camillo e entram Celito Espíndola e Rodrigo Sater. Já Maria Alice e Miska foram incluídas e se juntam a Jerry Espíndola, Guga Borba, Jonavo, Ju Souc, Marina Dalla, Paulo Simões e Rodrigo Teixeira, presentes no primeiro show. A banda que acompanha os intérpretes será formada por Alex Cavalheri (teclado e sanfona), Gabriel Basso (baixo), Leandro Perez (guitarra) e Sandro Moreno (bateria).
PAI DA POLCA ROCK
Geraldo Roca lançou três discos solo: “Geraldo Roca” (1988), “Litoral Central” (1997) e “Veneno Light” (2003). Habituado a receber o artista na casa de sua família, Jerry Espíndola homenageará o compositor cantando “Rio Abaixo”, famosa na voz de Renato Teixeira, e “Hermanos Irmãos”, única parceria sua com Roca, assinada também por Márcio de Camillo, Rodrigo Teixeira, Rodrigo Sater e Paulo Simões.
“Ele era como um irmão mais velho para mim. Frequentava muito minha casa, desde quando eu era criança. Sua maior influência é a polca rock, da qual ele é o pai”, destaca Espíndola, citando o gênero criado por Roca ao inserir a guitarra na polca paraguaia.
Conhecido por sua criatividade efervescente e à frente de seu tempo, Roca deixou canções que regionalizam emoções e fazem refletir. Na apresentação de hoje, “Uma Para Estrada”, “Mochileira”, “Japonês Tem 3 Filhas” e “Rio Paraguai” não devem faltar.
GRUPO ACABA
Além da homenagem a Geraldo Roca, o Grupo Acaba também se apresenta hoje na Concha Acústica Helena Meirelles. A banda levará ao palco parte do projeto “Antologia Musical Pantanal: Nascentes, Rios e Vertentes”, que celebra os cinquenta anos do conjunto, formado por Adriano Almeida (flauta, sax, voz e efeitos); Alaor Oliveira (violão e voz); Antônio Porfírio (baixo e voz); Eduardo Gouveia (bateria, voz e efeitos); Francisco Filho (percussão e voz); Jairo Lara (violão e voz); José Filho (violão, viola e voz); Moacir Lacerda (percussão e voz); e Vandir Barreto (violão, craviola e voz).