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Médicos defendem atendimento humanizado

Médicos defendem atendimento humanizado

Redação

18/10/2016 - 14h59

Por um longo período, a medicina foi encarada apenas pela ótica tecnicista, fria e biológica. O paciente não passava de um número, um corpo, uma máquina que precisava de conserto. Com os avanços do atual sistema de saúde e as inovações científicas e terapêuticas surgiram médicos que propõem um reencontro com a essência da profissão, investindo em atendimento humanizado e próximo. Melhor para quem preza por diálogo e entendimento, que vão além dos breves  diagnósticos e receitas.

Hoje, 18 de outubro, é celebrado o Dia do Médico. A busca por profissionais da saúde com perfil mais humano, que enxergue o paciente como um todo e não apenas se baseie nos sintomas de uma doença, é cada vez maior. A guia turística Naíra de Zayas, 29 anos, acostumou-se com o método e utiliza-o como critério quando precisa de atendimento.

“Sou muito exigente com meus médicos. O meu pediatra me atende até hoje por ter essa visão mais próxima da pessoa e não te tratar apenas como paciente, que fica uma hora no consultório e depois vai embora. É até engraçado, porque quando vou me consultar com ele só tem criança na sala de espera”, lembra.

Além da característica de diálogo, a guia turística revela que os tratamentos adotados pelo pediatra também são alternativos em relação às recomendações dos médicos convencionais. “Ele me receitou um remédio para dor de ouvido que eu poderia comprar na farmácia, mas me ensinou a fazer em casa”.

De Zayas procura filtrar seus médicos e não aceita quando rejeitam explicações detalhadas e diálogo extenso. Ela desconfia de profissionais que fazem perguntas básicas e surgem com diagnósticos rápidos, simplificados. Quem se incomoda diante dos questionamentos do paciente também não tem vez com a guia turística, que percebe uma demanda crescente pelo atendimento humanizado, mas não enxerga médicos com tais características nos consultórios.

Na tentativa de suprir a necessidade de formar médicos com perfil humanista, algumas faculdades de medicina incluíram o componente curricular Relação Médico-Paciente (RMP) na grade de ensino, que converge as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. O artigo 3º do documento instrui que as graduações devem formar um médico “com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, [...] com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano”.

Autor dos livros “Ser Médico e Ser Humano” e “Uma Nova Medicina para um Novo Milênio: A humanização do ensino médico”, o cirurgião geral e endoscopista Décio Iandoli Júnior, 52 anos, acredita que o ensino da profissão ainda é mecanizado, mas já existem alternativas. “A formação do médico ainda é muito técnica. Aprendemos a medicina da doença, mas devemos praticar a medicina da saúde, mas estamos caminhando para uma prática mais humana, pois um enorme número de pesquisas científicas tem mostrado que a espiritualidade é um fator promotor de saúde e que deve ser incluído tanto na formação do médico quanto como um recurso terapêutico”, diz.

Iandoli Júnior se inspirou em professores para aplicar a medicina humanizada e, hoje também docente, tento mostrar aos estudantes que o aspecto frio e tecnicista não é o único possível.

O ginecologista e obstetra Ivan Sinigaglia, 49, também teve uma formação acadêmica diferente da tradicional e que ele faz questão de levar para seu ambiente de consulta. “Aprender a ouvir e se colocar no lugar da pessoa, tentando enxergar seu mundo com o seu olhar e destituído de nossas ideias e julgamentos é essencial. Poder se aproximar física e emocionalmente dessa pessoa, olhar, abraçar, compartilhar também seus sentimentos é uma maneira de se mostrar mais humano”.

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