Os cerca de 300 consoles em exposição no Museu do Videogame Itinerante, criado aqui em Campo Grande, já viajaram de Manaus (AM) a Caxias do Sul (RS) e fascinaram mais de 8 milhões de visitantes no ano passado e neste ano, propondo uma volta no tempo e também horas de diversão gratuita para quem quiser apertar o play dos aparelhos do passado e do presente.
Neste ano, 16 shoppings receberam o evento e reuniram grande público – em média, cada local abriga o evento por 20 dias. O sucesso foi tamanho, que a agenda está lotada e somente em 2018 novas exposições poderão ser contratadas.
O curador do museu e jornalista Cleidson Lima (editor do Correio Informática) adianta que, de janeiro a novembro do próximo ano, o projeto visita shoppings de cidades do Rio de Janeiro e de outras capitais brasileiras nas quais ainda não esteve.
Depois de reunir mais de 800 mil pessoas na última parada, que foi em São Paulo (SP), o museu fará uma pausa e passará por uma reforma e atualização. Como já mantém videogames de última geração no acervo, serão então inseridos itens mais velhos, parte deles adquirida por meio de doação.
Segundo Cleidson, o encantamento dos visitantes faz com que eles o procurem para oferecer aparelhos que guardam em casa há anos.
“Recebo umas 15 doações a cada evento. Eles doam pelo valor afetivo que aquilo tem e geralmente não cobram nada. Eu sempre digo que nos guarda-roupas das mães é que estão os maiores tesouros, porque os filhos jogaram os videogames na infância e, depois que se casam, vão embora e o deixam lá. E, quando não há mais espaço no guarda-roupa, é preciso encontrar outro lugar.”
INICIATIVA
A ideia de criar um museu que reúne o que há de mais antigo e mais novo no mundo dos games rendeu ao jornalista campo-grandense a oportunidade de representar Mato Grosso do Sul no evento Museum Connections neste ano, em Paris, na França, onde palestrou ao lado do diretor do Museu do Louvre. E, no ano passado, ele venceu ainda o prêmio de museu mais criativo do Brasil, promovido pelo Ministério da Cultura.
Apaixonado por games desde sempre, Cleidson era só um colecionador antes de investir no museu, que rapidamente ganhou projeção nacional. Ele conta que a iniciativa só surgiu “por culpa” da esposa e também jornalista Janaína Ivo, depois de uma discussão que teve com ela.
“Era um belo dia de fúria e de faxina, e ela me deu um ultimato: ‘Ou você leva os videogames embora de casa e monta um museu, ou sai você’. Aí ela me deu a ideia”, conta.
A idealizadora do museu hoje faz parte da equipe da exposição, que começou em Campo Grande em 2011, com o nome “Campo Grande Game Show”, e passou pelos shoppings da Capital até 2014.
RETORNO À CAPITAL
De acordo com o curador, ele, a esposa e o irmão Cláudio Lima – também parte da equipe – estão tentando fazer com que o evento retorne a Campo Grande. “Os shoppings não se interessaram mais. Um deles afirma que é porque atrai muita gente. Não entendo. Do meu ponto de vista, isso é positivo. Então, tentamos obter recursos com o governo, mas também não conseguimos.” Por enquanto, não há previsão de retorno.
Por onde passa, o Museu do Videogame Itinerante deixa fãs, como o fisioterapeuta Helcio Inhof, 33 anos, que o visitou em São Paulo. “Encheu os olhos d’água. Fui à tarde, no primeiro dia de férias do trabalho, e fui direto ao videogame que mais joguei na vida, o Master System, da TecToy. Eu me emocionei bastante, pois era uma época em que a única preocupação da minha vida era passar de ano na escola e saber se minha fita de jogo predileta estaria disponível para locação no fim de semana.”
ACERVO NOSTÁLGICO
Atari, Master System, Mega Drive, Nintendo 64, Sega Saturn, Dreamcast, Game Cube, Xbox e Playstation 1 são apenas alguns dos consoles presentes no acervo, que resgata os 44 anos da história do vídeo game.
Durante as exposições, que são inteiramente gratuitas, é possível jogar clássicos como River Raid, Enduro, Pac-Man, Super Mario Bros, The Legend of Zelda, Sonic, Top Gear, Street Fighter, Mortal Kombat, Final Fantasy e Castlevania, bem como conhecer as novidade no mercado dos games. Em dias programados, há também apresentação de cosplay dos personagens dos jogos.
A nostalgia e a oportunidade de jogar games aos quais nunca teriam acesso – por serem muito ultrapassados ou por serem lançamentos caros – são os principais atrativos do evento, segundo Cleidson. Ele explica que a “cultura do videogame” é midiática e acaba envolvendo diferentes gerações, sejam essas pessoas nascidas ou não em épocas em que se tem acesso a videogames.
Não só os geeks – fãs de tecnologia e jogos eletrônicos, animes, séries, etc. – prestigiam o evento. “A família inteira prestigia, de crianças a pais que jogaram o Atari nos anos 70 e têm a oportunidade de jogar outra vez, por conta do museu.”