Uma mulher abandonada pelo marido comete vários assassinatos, buscando vingar-se daquele que desperta o seu amor. O enunciado parece extraído do boletim de ocorrência policial da atualidade, mas resume uma tragédia originária da Antiga Grécia, que atravessou o tempo chegando até os nossos dias em forma de narrativa teatral.
Trata-se de “Medeia”, de Eurípedes, que se inspirou em relatos da mitologia para formatar o texto, o qual, agora, ganha nova versão em nossos palcos. A empreitada é conduzida pelos integrantes do grupo Senta Que o Leão é Manso, formado por acadêmicos da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). A estreia ocorrerá amanhã, às 19h30min, na Esplanada Ferroviária – Avenida Calógeras, 3.065. Com sessões no mesmo horário, na sexta-feira e no sábado.
“Quando começamos a trabalhar com a possibilidade de montar ‘Medeia’, alguns questionaram a atualidade do texto, já que ele foi escrito há mais de dois mil anos, mas no momento que o trabalho iniciou-se foi possível perceber que muitos elementos da peça estão presentes no dia de hoje. Não é tão raro ver caso de pessoas que se vingam da pessoa amada cometendo crimes, isso costuma ser muito divulgado nos meios de comunicação”, aponta o diretor do espetáculo, Roberto Figueiredo.
Ele enfatiza que o texto já ganhou diversas versões no teatro, cinema e na televisão.
Em muitos casos, os realizadores preferiram atualizar o enredo, mas não foi esta opção adotada pelo grupo. “Fizemos o trabalho a partir do texto original, mas de uma maneira que pode ser compreendida pelo público em geral”.
NACIONAL
Fundado em 1982, o grupo já produziu mais de 30 espetáculos. Na maioria das vezes, apostou em textos clássicos da dramaturgia mundial, explorando várias vertentes. Na lista de montagens, estão incluídas “A Cantora Careca” e a “Lição”, ambas do francês Eugène Ionesco, e “As Troianas”, do mesmo autor de “Medeia”. “Também trabalhamos com obras nacionais e mais recentes, mas, na maioria das vezes, fomos buscar os textos no passado”, enfatiza o diretor.
A intenção do grupo com a montagem de “Medeia” é levá-la para vários espaços e promover o debate sobre os elementos enfocados.
“É um trabalho que pode percorrer diversos locais, a estrutura é simples e bem elaborada”, afirma. Em cena, 15 atores participam. Os ensaios ocorreram durante vários meses.