Serão quatro dias, durante os quais Corumbá, a Cidade Branca, se tornará um ponto de convergência cultural latino-americana. A programação se estende de amanhã a segunda-feira. O Festival América do Sul – Pantanal chega a sua 13a edição de forma enxuta, mas conta com alguns destaques regionais, nacionais e internacionais.
A inserção da palavra “Pantanal” no título é uma das novidades que evidenciam a importância da paisagem natural para as festividades. “O termo foi inserido para ressaltar as belezas naturais comuns aos dois países, Brasil e Bolívia, ressaltando para toda a América do Sul a beleza de nossa fronteira”, afirmou Andréa Freire, presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
Para reforçar o ideal de integração, o Festival teve lançamento oficial em Corumbá e em Porto Suarez. Do País, a programação contará com a oficina de audiovisual do cineasta Iván Molina, a companhia de teatro Trono, a oficina de teatro com o diretor Iván Nogales, a Orquestra de Cordas de San José de Chiquitos e o Ballet CulturArte. Mas não é apenas de Bolívia que o Fasp é feito. A programação contará com atrações da Argentina, do Chile, do Paraguai, do Uruguai, entre outros.
Na música, Fasp traz consagrados e inusitados
A principal atração do festival, no entanto, é o cantor Carlinhos Brown, que se apresenta no sábado, às 22h30min, também na Praça. O músico, que também é jurado no “The Voice Brasil”, é um dos nomes mais inventivos da música brasileira contemporânea, sempre se valendo de elementos tradicionais, sobretudo percursivos, em seus trabalhos. Seu último disco é “Artefireaccua (Incinerando o Inferno)”, lançado neste ano.
Outro nome que chama a atenção na programação do Festival América do Sul – Pantanal é o duo argentino Tonolec. Eles se apresentam amanhã, às 21h, na Praça Generoso Ponce. Formado em 2005 pela cantora e jornalista Charo Bogarín, e pelo músico Diego Pérez, o duo une música eletrônica e cantos étnicos de grupos indígenas como os Qom e os Guarani. A capacidade de dar roupagem pop aos sons e idiomas pouco conhecidos do grande público é um dos méritos do Tonolec.
Marcelo Loureiro, o mestre cururueiro Sebastião de Souza Brandão, Urbem, Ju Souc, entre outros, são os nomes do Estado que se apresentam no Festival.
Aline Figueiredo, crítica de artes corumbaense, é homenageada
Aos 70 anos, Aline Figueiredo tem uma longa trajetória junto às artes plásticas. Seu trabalho se iniciou na década de 60, quando reuniu importantes nomes das arte de Mato Grosso – à época, ainda uno – na 1a Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-Grossenses, no Rádio Clube de Campo Grande.
No ano seguinte, surgiria a Associação Mato-Grossense de Artes, órgão criado por ela e que teve papel central na divulgação dos artistas de MS. A instituição existiu até 1972. Logo em seguida, junto com o artista plástico Humberto Espíndola, Aline propôs ao governo do Estado a criação do Museu de Arte e de Cultura Popular.
Em sua trajetória, Aline assinou diversos livros que constituem um importante acervo das artes em MT e MS. Atualmente, vive e trabalha em Cuiabá. No domingo, às 15h30min, haverá palestra “Percursos de Uma História da Arte: A Visão Crítica de Aline Figueiredo”, no Museu de História do Homem Pantaneiro, tratando da importância do trabalho que Aline vem realizando.
Artesanato de sete países será destaque no festival
O artesanato terá um espaço totalmente dedicado a sua exposição e comercialização no 13o Festival América do Sul Pantanal (Fasp). Uma tenda foi montada para receber peças de 12 artesãos da Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai e Peru. Ainda haverá sete brasileiros, vindos do Distrito Federal, do Maranhão e Goiás.
De Mato Grosso do Sul foram escolhidos cinco artesãos que representarão seis associações de artesãos do Estado, inclusive com peças de Corumbá e Ladário. Na tenda Artesanato, a equipe da Gerência de Atividades Artesanais da FCMS estará realizando o serviço de cadastro de artesãos e trabalhadores manuais interessados em oficializar o trabalho. O atendimento será realizado nos dias 12, 13 e 14 de novembro, das 16h às 20h, na Tenda Artesanato.
Para Andréa, cada peça artesanal carrega um rico universo de história e humanidade, que além de gerar renda fomenta a economia criativa e traz prestígio aos criadores.
Nas artes plásticas, Ilton Silva e Edson Castro
Assistir a um dos grandes nomes das artes plásticas de Mato Grosso do Sul pintar suas telas ao vivo é uma das possibilidades oferecidas pelo Festival América do Sul Pantanal. Sábado e domingo, às 17h, no Porto Geral, Ilton Silva irá criar ao vivo trabalhos marcados pela inspiração corumbaense. Por isso, o artista já avisou que dará ênfase a elementos regionais como o casario, os barcos e as canoas de pescadores.
Com seus trabalhos cheios de cores e formas simples, Ilton conseguiu traduzir muito da cultura sul-mato-grossense em pintura. Aos 75 anos, o artista ressalta que é interessante sua participação no local. “Qualquer artista se sentiria muito bem em fazer parte deste festival”, afirma.
Outro artista plástico que terá seus trabalhos mais recentes expostos no Festival é Edson Castro, corumbaense que se mudou para Paris em 2008. As pinturas abstratas, que têm inspirações com a obra de Wega Nery e Manoel de Barros, serão expostas no Muphan. A abertura é amanhã, às 19h.