Apesar do calor que beirava os 30 graus, crianças e adolescentes trajavam uma indumentária tradicional, com quepe, calça e camisa de manga longa. Contudo, suas faces expressavam contentamento e orgulho por estarem ali, participando do 5o Festival de Bandas e Fanfarras da Rede Municipal de Ensino (Reme). O encontro, que aconteceu no sábado, contou com a participação de sete escolas da Capital.
Entre os participantes, a discrepância era facilmente perceptível. Escolas com projetos mais recentes ainda não contam com uniformes e os integrantes, claramente, ainda estão aprendendo o ofício de músicos. No outro extremo, estão as bandas e fanfarras mais antigas, que contam com um grupo musical coeso, instrumentos novos e uniformes cheios de pompa.
Neste último caso, encontra-se a Banda Marcial da Escola Municipal Dr. Eduardo Olímpio Machado. Criado em 2006, o grupo musical tem como regente o professor Wander Gomes. “É um projeto escolar que atende todos os alunos interessados em participar. Contamos com alguns integrantes que já deixaram a escola, justamente por causa do tamanho que o projeto ganhou”, afirma.
Com foco na musicalização dos estudantes do primeiro ao quinto ano, a banda marcial conta com percussão e instrumentos de sopro – diferenciando-se da fanfarra, por contar também com instrumentos mais complexos e apresentações em marcha, que evocam características militares. São cerca de 30 alunos divididos que participam do grupo.
Outro exemplo de organização é a fanfarra da Escola Municipal de Tempo Integral Professora Ana Lúcia de Oliveira Batista, que desde 2013 conta com o projeto. A regência é feita pelo professor de artes Henrique de Oliveira Batistote. Atendendo cerca de 40 alunos, o grupo é uma oportunidade de atividade para os alunos no contraturno das aulas. “É um trabalho com foco na aprendizagem musical, mas também existe uma parte social. Acompanhamos o crescimento desses alunos e tentamos oferecer oportunidades a eles”, aponta.
Segundo Batistote, muitos participantes não imaginavam ter aptidão musical até participarem do grupo. “Eles estão descobrindo o potencial que têm. É uma ferramenta importante para que essas crianças cresçam e aprendam a ser cidadãs”, aponta.
Entre as escolas que acabaram de iniciar projetos musicais há a Escola Municipal Antônio José Paniago. Atualmente com 16 integrantes, a banda de percussão oferece contato com a música para estudantes. “É um projeto importante. Eu mesmo tive formação musical em bandas e fanfarras”, conta o regente Alan da Costa Mendes, formado em Música pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
“Antes de cursar a faculdade, eu fui auxiliar de regência e depois comecei a trabalhar como professor de música. Foi um fator decisivo para mim”, explica Alan. Segundo ele, embora a maioria dos participantes nunca tenha tido experiência musical, existem aqueles que chegam ao grupo com algum conhecimento. “Geralmente, eles vêm das igrejas”, aponta.
FESTIVAL
No sábado, algumas dezenas de pessoas se reuniram no Teatro de Arena do Horto para acompanhar o 5o Festival de Bandas e Fanfarras da Reme. Entre participantes de bandas e fanfarras, regentes e familiares dos participantes, o evento contou com a apresentação de grupos de sete escolas municipais da Capital, além de convidados.
A abertura ficou por conta da Banda da Guarda Municipal, seguida pela Banda Municipal e pela Banda Musical do Instituto Mirim. Em seguida, cada escola apresentou seu repertório, que contou em média com duas a três músicas. O festival tem como objetivo explorar o potencial educativo da música, estimular o desenvolvimento artístico e dar espaço para a demonstração do trabalho que vem sendo realizado.
Segundo a Divisão de Esporte, Arte e Cultura (Deac), o evento não foi realizado ano passado. “Retomamos neste ano, por entender que é um importante momento para os alunos e para os trabalhos que vêm sendo realizados”, pontua Rafael Bendô, um dos organizadores. Ele ressalta também que o número de bandas e fanfarras foi reduzido. “Tivemos que adequá-las, pois agora é necessário um professor com formação em Artes ou Música para realização do trabalho.”