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"Dezembro laranja": alerta sobre riscos do câncer de pele

"Dezembro laranja": alerta sobre riscos do câncer de pele

Redação

13/12/2016 - 15h32

Uma pequena ferida no ombro, que sangrava todos os dias durante o banho, até pouco tempo não era preocupação para a cabeleireira Viviane Pereira, 42 anos. “Era do tamanho de um grão de arroz. Eu pensava que o sangue saía porque o chuveiro ficava sempre na temperatura quente, e isso acabava agredindo aquela área da pele que eu acreditava ter machucado sem perceber”.

Quando a ferida surgiu, ela morava em Piçarras, município do litoral de Santa Catarina – gostava de caminhar pela praia, não usava protetor solar e estava sempre exposta ao sol, mesmo em horários não recomendados. Mudou-se para Campo Grande em 2015, e o então pequeno problema a acompanhou. Assim que chegou, sua filha e a irmã insistiram para que ela fosse ao médico. “Passava pomada cicatrizante e não adiantava. Começou a doer quando eu ficava com a alça da bolsa no ombro também. Demorou, mas desconfiei que era alguma coisa mais grave, e todos começaram a ficar preocupados também”.

No ano em que se mudou de Estado, aproveitou uma ação da “Dezembro Laranja” – campanha de saúde pontual, que alerta para a prevenção e diagnóstico do câncer de pele – para se consultar com os alunos e professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Segundo Viviane, a equipe rapidamente identificou a ferida como possível sinal de câncer de pele não-melanoma, que não era grave, mas precisava ser tratado imediatamente.

O câncer de pele desse tipo é tumor maligno que mais atinge os brasileiros. De acordo com estimativas do Instituto do Câncer (Inca), ele representa cerca de 30% dos casos de câncer diagnosticados todos os anos. É o tipo mais frequente, e também o menos letal.

No entanto, é considerado grave o câncer de pele do tipo melanoma, que afeta células da derme chamadas de melanócitos. Não representa tantos casos quanto o primeiro tipo, mas está entre os mais agressivos por ter potencial de se espalhar pelas células do corpo.

VERÃO

As campanhas e os informativos sobre a doença circulam especialmente durante o verão, estação em que a incidência de raios ultravioleta é alta. É deles que as pessoas devem se proteger para prevenir seu aparecimento, segundo a dermatologista Melina Quintella.

Realizar exames periódicos e buscar a indicação de um protetor solar adequado é o que a médica recomenda que todos façam, especialmente quem tem pele mais clara. 

Melina explica que, nesses casos, o ideal é que a cada três meses se faça uma consulta. Quanto ao produto que será utilizado como protetor solar, também há recomendações específicas. “A cor da pele e o tipo, se é oleosa ou não oleosa, a frequência de exposição ao sol e o uso do filtro solar com outros produtos no rostos interferem na escolha. A prescrição do produto por um dermatologista é sempre individualizada”.

Para prevenir, valem também as demais recomendações repetidas pelas campanhas e pelos médicos: usar óculos de sol de boa qualidade, não se expor ao sol entre as 10h e 14h e reaplicar o protetor a cada quatro horas. Quem trabalha em ambientes externos deve redobrar os cuidados – usar roupas com proteção ultravioleta e chapéu, além de reaplicar o produto a cada duas horas garantem proteção extra.

TRATAMENTO 

No caso de Viviane, foi necessário fazer uma raspagem para retirar a pele afetada, o que durou menos de 5 minutos, segundo ela. 

“Foi rápido, mas, mesmo assim, saí de lá assustada. Um pedaço grande da pele do meu ombro foi raspada porque estava comprometida”. 

Os tratamentos são variados e incluem a cirurgia de remoção, a curetagem, a criocirurgia com nitrogênio líquido, tratamento a laser e a terapia fotodinâmica. A indicação varia conforme o caso. Segundo Melina Quintella, somente a terapia fotodinâmica não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Os demais são opções garantidas pela rede pública e pela rede particular em Campo Grande.

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