Uma vez por mês, os cães do projeto “Patinhas Solidárias” fazem passeios mais longos do que os que costumam fazer com seus donos diariamente. Vão até abrigos, asilos e hospitais para passar horas em contato com pessoas desconhecidas que, por algum motivo, precisam de uma razão especial para se alegrar. No último domingo, foi dia de fazer esse roteiro no asilo São João Bosco, em Campo Grande, onde estiveram pela primeira vez.
Os 40 animais e 35 donos cadastrados no projeto se revezam para essas visitas – que têm eficácia como método terapêutico e são chamadas de cinoterapia.
Os responsáveis ficam por perto dos cães e permitem que eles subam no colo, lambam, brinquem, e deem e recebam carinho dos novos amigos, sem restrições.
O projeto foi criado em julho deste ano, e não é ligado a ONGs ou outras entidades – são os próprios donos dos cães que o dirigem e o organizam. A ideia partiu da arquiteta Gyselda Ajala e da amiga, Juliana Sara.
Depois de ler sobre projetos de terapias com cães realizados em outras cidades, elas se animaram a organizar um igual em Campo Grande. Primeiro, conseguiram permissão para levar seus próprios pets para visitar outras pessoas. Com a repercussão da ação, mais donos dispostos a fazer visitas começaram a aparecer e se juntar a elas .
Lidar com cachorros é uma alegria para Gyselda, e fazer trabalho voluntário com eles rende uma sensação ainda melhor. “Costumo dizer que os animais é que são voluntários, nós não fazemos nada. Os resultados são incríveis, os pacientes do hospital se acalmam e as crianças ficam muito felizes. A interação entre eles é total”.
Cães de todos os portes e raças podem participar do “Patinhas Solidárias”. A única exigência é que passem por uma avaliação técnica de comportamento e estejam saudáveis e vacinados para não oferecerem riscos.
O projeto já atendeu crianças dos lares temporários Lygia Hans e Casa da Criança Peniel, alunos do projeto de assistência social Pé no Chão e pacientes da Clínica Carandá.
CÃO HERÓI
Além dessa ação independente, há em Campo Grande outro grupo de cãoterapia mais antigo, o “Cão Herói, Cão Amigo”, coordenado pelo Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.
Em atividade há seis anos, o projeto atende crianças com autismo, síndrome de Down e paralisia cerebral que estudam na Escola Municipal Múcio Teixeira Júnior, em Campo Grande, uma vez por semana.
A interação com os animais faz parte das atividades regulares da escola, e é acompanhada por uma equipe formada por veterinário, psicólogo, fonoaudiólogo, assistente social, pedagogo e oficiais do Corpo de Bombeiros.
Aos poucos, as crianças apresentam melhoras na fala, na cognição, nas funções motoras e na socialização que não haviam sido conseguidas somente com a prática dos exercícios de rotina indicados pelos profissionais.
Segundo o coordenador-geral do projeto, o bombeiro Fábio Pereira de Lima, os resultados impressionam todo o grupo. “Fazemos um trabalho minucioso e o desenvolvimento deles é notável. O simples movimento de jogar uma bolinha para o cão pegar já é um avanço grande para eles ”.
A terapia com animais do Corpo de Bombeiros começou na unidade da corporação em Corumbá, também com a coordenação de Fábio. Na época, ele havia feito um curso de resgate com cães, e aprendeu a treiná-los.
O projeto passou a ser realizado somente em Campo Grande em 2012, após a transferência do oficial para cá. Só este ano, os três cachorros oficiais que compõem atualmente o grupo de terapia estiveram com mais de 1 mil pessoas, segundo estimativas do Corpo de Bombeiros.
Outras instituições como abrigos de idosos e hospitais já foram atendidos pelo projeto.
AGENDAMENTOS
Os interessados em agendar visitas dos cães terapeutas devem entrar em contato pelos números (67) 3204-0477 (projeto Patinhas Solidárias) e (67) 3318-4662 (quartel Parque dos Poderes do Corpo de Bombeiros).